Analoguia

Gabi Lomo Barcelona

Gabriela Marques
Paula Parreira

Lembra de Vicky Cristina Barcelona, filme de Woody Allen? Aqui vamos falar sobre Gabi Lomo Barcelona.

Quando escrevi aqui sobre Barcelona e publiquei as fotos analógicas da cidade, mencionei que minha amiga Gabriela Marques acabou se interessando por lomografia. Formada em Jornalismo, ela é estudante de doutorado em Barcelona e foi uma guia maravihosa, indicando lugares incríveis para visitar, dando dicas de transporte e comidas e sendo ótima companhia em passeios.

Não fotogramos juntas e, infelizmente, não tenho fotos com ela na viagem. Nós nos encontrávamos muito mais à noite do que durante o dia e quase não faço fotos noturnas. Então, só andei perguntando como chegar a lojas de filmes ou coisas assim, mas nada além disso.

Um tempo depois, Gabi queria experimentar o mundo lomográfico e me pediu dicas sobre qual câmera comprar. Ela acabou apostando em uma La Sardina, da Lomography, que é de plástico, utiliza filmes 35mm (o mais comum) e oferece ajustes simples, de distância focal e velocidade. É ótima tanto para fotos comuns, de paisagens (a lente é grande-angular de 22mm) e retratos, por exemplo, quanto para experimentações de múltiplas e longas exposições.

As múltiplas exposições eram exatamente o que Gabi queria fazer. Quando ela me enviou as primeiras fotos, fiquei encantada com o quanto as imagens estavam legais e belas e com a gentileza dela de me escolher para ser a primeira a ver.

Há alguns dias, pedi para Gabi relatar um pouco da experiência com sua lomo. Ela vive em um lugar de mais fácil acesso a filmes e equipamentos, o que facilita nas opções de películas e na escolha de um laboratório para revelar. Com muitas opções, você consegue optar por bons e diferentes produtos e pode escolher serviços realmente de qualidade. Gabriela fotografa bastante em Barcelona, mas também está sempre com a câmera quando viaja para outros países da Europa. Já levou a Sardina pra Alemanha, Hungria, Islândia, Dinamarca etc.

Abaixo, reproduzo as respostas de Gabi para minhas perguntas sobre fotografia analógica e lomografia.

Paula - Quando e como você se interessou pela lomografia?
Gabi - Sempre via umas fotos de lomo de conhecidos nas redes sociais. Achava legal, mas não sabia bem o que era lomografia. A curiosidade de perguntar sobre isso para alguém surgiu por causa das suas fotos, principalmente as de dupla exposição. Achava linda a combinação de formas, de cores. Não me lembro se chegamos a conversar sobre isso quando você veio aqui, mas, pouco tempo depois que você voltou, te mandei um monte de pergunta porque estava pensando na possibilidade de comprar uma lomo. E tem exatamente um ano que tudo isso começou.

Paula - O que significam fotografia analógica e lomografia pra você?
Gabi - A fotografia analógica volta na minha vida por causa da lomografia. Antes era só uma lembrança de como a gente tirava foto quando eu era criança. E a lomo foi a forma como me interessei por fotografar. Claro que sempre fiz foto com câmera digital e celular, mas, como nunca achei que minhas fotos eram boas, fazia os cliques mais pelos lugares, pelos momentos ou pelas pessoas. Com a lomo é diferente. O resultado final e o fato de que o filme tem uma quantidade de poses (nem sei se essa palavra ainda é usada) específica faz com que eu use um pouco mais a cabeça pra fazer uma foto. O efeito que as fotos da lomo têm também é o que me motiva. Não sei qual é o termo técnico correto, mas a cor e a textura da foto na lomo são muito bonitas pra mim. Então, a lomografia significa experimentar. Não sei se chamo de hobby. É uma coisa que eu tenho gostado muito de fazer, mas que não me cobro um resultado. Também não leio nada sobre o assunto, não pesquiso, simplesmente vou fazendo. Mas sempre que estou com algum amigo fotógrafo, fico perguntando coisas, mostro algumas fotos, peço dicas, quero saber o que fiz de errado ou de certo.

Paula - O que achou mais difícil e o que mais te encantou e foi interessante nas suas experiências com filme até agora? O que já deu errado?
Gabi - Comprei a lomo por causa da dupla exposição. Queria fazer só isso. E, pra ser sincera, acho bem difícil fazer uma dupla exposição legal, que eu goste. Até hoje, são poucas que salvam. Outra coisa difícil é saber se a quantidade de luz é suficiente. Sempre fico receosa de fazer foto quando está nublado. Já perdi fotos porque ficaram escuras demais. À medida que fui revelando os primeiros filmes, fui descobrindo o quanto eu gostava das fotos sem dupla exposição. Antes pensava que era gastar filme à toa fazendo fotos que posso fazer no celular, por exemplo. Mas, quando vi o resultado, percebi o quanto são bonitas as fotos normais, sem efeito, sem dupla, sem nada. Tenho gostado tanto que agora, quando acho que a luz está boa, peço para alguém fazer foto minha também. Também tenho gostado das fotos um pouco mais escuras. A foto do pôr do sol e da janela, por exemplo, estão entre as minhas preferidas.

Paula - Você tem uma La Sardina. Tem vontade experimentar outras câmeras? Por que gosta da Sardina?
Gabi - A única que eu senti vontade de comprar foi a Robot, que tem várias fotos em um mesmo frame. Acho que seria legal para testar fotos em movimento. Sobre a Sardina, gosto dela pela simplicidade. Quando pedi dicas de lomos, me lembro que meu único critério era a facilidade tanto de manusear quanto para comprar filme e revelar. Isso pesou na decisão porque não queria nada que me desse trabalho. Comprei a minha em uma loja que você indicou. Ela é de segunda mão e comprei também porque era a mais barata. Como não sabia se ia gostar da experiência ou se, no final, ia deixar a câmera jogada no fundo do guarda roupa, não quis arriscar em nada caro. Quando comprei, achei que não fosse sair nenhuma foto que prestasse. Olhava para a Sardina e pensava "isso parece de brinquedo, não vai funcionar". Depois que foi dando certo, fui gostando cada vez mais. Fora a Sardina, usei a Instax de uma amiga uma vez. Gostei principalmente porque você já fica com a foto em mãos, o que é uma grande vantagem pra quem não costuma revelar foto. Mas eu também achei difícil porque fica tudo muito pequenininho.

Paula - Sobre filmes, quais já usou e gosta? Tem facilidade pra achar e comprar filmes?
Gabi - Só usei filmes comuns até hoje. Até tive vontade de experimentar um redscale, mas só vende em loja de lomo aqui em Barcelona e, nas duas vezes que fui lá, estava fechada. Como não é caminho para mim, nunca comprei. Como disse, a praticidade é meu único critério. Então, compro filme na mesma loja que revelo, que é perto da minha casa. Pra ser sincera, não sei nem a marca, só sei que sempre compro filme ISO 200.

Paula - Como é sua rotina fotográfica? Gosta de fazer saídas, está com uma câmera aonde quer que vá?
Gabi - Não faço saídas fotográficas. Levo a lomo quando vou viajar, quando vou "turistar" em Barcelona com alguma visita ou quando vou estar com amigos em algum lugar aberto, como um parque ou na praia. Fotografar meus amigos é uma coisa que tenho gostado de fazer, fica uma recordação pra mim e pra eles também. E, claro, eles são minhas cobaias para fazer dupla exposição.

Paula - Depois que começou a fotografar com filme, sua relação com a fotografia mudou em algum aspecto?
Gabi - Apesar de ainda não saber bem usar a luz a meu favor, passei a prestar mais atenção nisso. Outra coisa é que passei a gostar de algumas fotos que faço. E descobri que minhas fotos são completamente tortas. Hahahaha. Mas, em geral, o que mudou mais foi a vontade de fotografar, de ver o resultado e de querer partir para o próximo filme e tentar fazer melhor ou experimentar alguma coisa diferente.

Paula - O que você diria para alguém que tem interesse em fotografar com filme, mas ainda não começou?
Gabi - Se joga. Hahahaha. É bem gostoso. Converse com quem sabe mais sobre o assunto, peça dicas e acho que é importante saber o que você quer com a experiência. Se não quiser levar a sério, não tem problema, é um ótimo passatempo. E se quiser se dedicar, o resultado é bem legal.

Paula - O que você quer testar e ainda não conseguiu?
Gabi - Quero testar o filme de redscale ou algum outro desses. E quero testar também outras lomos pra saber se eu vou ficar só com a minha Sardina mesmo ou vou aumentar a família.

* Paula Parreira é editora de Esporte do POPULAR. Desde 2013, é adepta de fotografia analógica e lomografia, vertente que prega experimentação e liberdade criativa.

Twitter: @analoguia
Facebook: Analoguia
Instagram: @analo.guia e @paula_parreira

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Taynara Borges
Gabriela Marques, autora das fotos maravilhosas deste post, aqui fotografada por uma amiga usando uma lomo
Gabriela Marques
Este é o memorial em homenagem aos judeus que morreram na Hungria durante a Segunda Guerra Mundial. São sapatos à beira do Rio Danúbio, em Budapeste. Muitas pessoas colocam flores sobre os sapatos como forma de saudação. Gabriela fez o mesmo, mas em uma dupla exposição fotográfica. Gosto muito dessa foto por causa da delicadeza e sensibilidade.
Gabriela Marques
Gabriela Marques
Gabriela Marques
Gabriela Marques
Água, céu e edifícios misturados em uma dupla exposição
Gabriela Marques
Gabriela Marques
Gabriela Marques
Gabriela Marques
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