Mãe é Mãe

O mundo além de nós

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CARLA


A partir do momento em que temos filhos, começamos a olhar o mundo de forma diferente. Na verdade, isso acontece antes mesmo de eles nascerem, já durante a gravidez. As preocupações aumentam. A atenção aos telejornais aumenta. O interesse por coisas como "repelente" e "cinto de segurança" aumenta... É incrível como tudo muda a partir daquele "positivo".

Nós paramos de pensar só em nós e começamos as economias. Diminuímos o nível de aventura e fazemos planos a longo prazo. Desistimos de alguns objetivos e adiamos outros. Tudo isso acontece naturalmente quando estamos nos preparando para sermos mães ou pais. Quando experimentamos esse amor parental, até nossa "fábrica de lágrimas" trabalha mais. Ficamos mais emotivos, sensíveis, apaixonados e, mesmo quando um acontecimento triste ocorre lá do outro lado do mundo, a gente reflete e deseja um mundo melhor. 

Quando a mulher engravida, mudam-se completamente os hábitos e preocupações. Isso irá perdurar por toda a vida. Porém, essa experiência deve ser saudável. Os cuidados com si mesma também são muito importantes para que haja uma boa relação nessa díade. A mulher que se anula demais ou o casal que volta sua atenção somente ao bebê acabam perdendo sua essência, deixando de reconhecer as necessidades, o que pode ser muito prejudicial para a saúde emocional do adulto.

Com a gravidez, nós começamos a fazer planos e tentamos organizar a vida financeira para proporcionar ao filho tudo aquilo que achamos que ele precisa. Mas o que ela realmente vai precisar é de presença. Mais nada mesmo! Não é clichê, não é frase de efeito. É o mais importante e o começo de tudo. Claro que você vai precisar trabalhar e os gastos vão aumentar. Mas temos que ter a consciência de como utilizaremos nosso tempo, de como equilibraremos o trabalho e o tempo junto desse filho, pois é esse tempo de qualidade que vai influenciar, drasticamente, na formação da estrutura psicológica da criança.

Não podemos ter filhos para mantê-los sempre longe. Por melhores que sejam os serviços oferecidos, é da nossa presença carinhosa que eles precisam. Está certo que esse carinho também tem que ser presente na pessoa que fica com a criança enquanto os pais estão trabalhando. É preciso que, muito mais do que os cuidados básicos, como dar banho ou a papinha na hora certa, a criança seja estimulada, mesmo longe dos olhos dos pais, seja com uma música, um brinquedo ou um banho de sol.
 
Ao termos nossos filhos, passamos a olhar além de nós. O que fazemos tem impacto direto na vida de outra pessoa e isso acaba nos fazendo seres melhores. Dessa forma, se agirmos com responsabilidade nessa árdua tarefa de educar, com certeza estaremos colaborando para um mundo melhor.

*Karla Cerávolo, esposa do Dan, mãe do Davi e do Bento. Psicóloga Perinatal e diretora da Organização De Umbiguinho a Umbigão.

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