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A maternidade para além das fórmulas dos contos de fadas

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Ah, os contos de fadas! Belas histórias em que, no final, tudo dá certo e todos se tornam “felizes para sempre”. É muito gostoso assistir ou ler uma história assim, mas será que podemos pautar nossas vidas nessa fórmula? Aposto que você vai dizer: “não, claro que não”. No entanto, não é intrigante como, muitas vezes, aquilo que é dirigido a nós, mulheres, quase sempre é apresentado de uma forma linear, na qual sacrifícios são exigidos para uma vida de felicidade plena e definitiva? 

Trabalhando com empoderamento feminino, percebo isso nos mais diversos papéis que as mulheres desempenham. Na maternidade não é diferente. É sabido que nos contos de fadas as mães não aparecem, mas a fórmula defendida nessas histórias é algo bastante difundido nas nossas vidas. Isso acaba perpassando vários papéis que desempenhamos.
 
Socialmente, parece não haver dúvidas acerca dos sacrifícios na maternidade: “ser mãe é padecer no paraíso”; “é ter o coração fora do corpo”; “ser mãe é sentir culpa”... E por aí vai. Mesmo com essas referências sociais de que ser mãe não é algo fácil, ainda há, no geral, um esvaziamento da discussão desses aspectos e um foco grandioso na beleza da maternidade.

Obviamente, a maternidade pode ser algo sublime, carregado de beleza e amor incomensuráveis. Seria estranho imaginar que as coisas não são assim para a maioria das mulheres. Afinal, somos educadas pra isso nossa vida inteira. Entretanto, também precisamos assumir com solidez que a maternidade é um grande desafio. Decidir que terá uma pessoa completamente dependente de você por anos não é fácil. Enfrentar todas as pessoas que realmente acreditam que conhecem a “fórmula perfeita para criar filhos” e manifestam suas opiniões o tempo todo não é fácil. 

Ser responsabilizada por tudo de errado que acontece com seu filho ou tudo de errado que ele escolhe fazer não é fácil. O que está fora da realidade na idealização sobre a maternidade é a ideia de que a mãe dará conta de tudo e terá o controle de tudo e, assim, a felicidade plena e definitiva chegará. Na verdade, a felicidade poderá ser sentida em muitos momentos, mas o cansaço, a tristeza e algumas dores também. 

Uma mãe não terá todas as respostas sempre, ainda que finja ter. Ela errará e se irritará mesmo amando de todo coração. A mãe real não é uma fada dos contos. Ela é nada mais, nem nada menos que uma pessoa. A maternidade percebida para além da fórmula “e viveram felizes para sempre” faz parte do processo de empoderamento feminino e objetiva liberar as mulheres das idealizações desnecessárias para que elas sejam a melhor mãe que podem ser e não uma mãe perfeita.
 
Feliz Mês das Mães Reais!

* Jociane Lessa é psicóloga (CRP 09/3794), psicoterapeuta existencial há 12 anos, co-idealizadora do projeto Empodera Goiânia e co-fundadora do Instituto Devir Psicologia. 

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