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Mudar ou não: eis a questão

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ANA

Você acredita que para fazer uma mudança em sua vida basta desejar? Acredita que é o desejo que move a vida das pessoas que conseguem emagrecer cinco, dez, quinze, vinte e tantos quilos? Para a maioria das pessoas às quais faço essa pergunta, a resposta costuma ser: sim, é o desejo é que leva à mudança.

Bem, pensemos um pouco mais acerca dessa afirmação. Para facilitar, pense em sua própria vida e avalie: em uma escala de zero a dez, quanto você deseja mudar comportamentos que levam ao ganho de peso? Se você respondeu dez e ainda assim encontra dificuldades de inserir em sua vida uma alimentação mais saudável, uma prática regular de exercícios ou simplesmente beber mais água ao longo do dia, quero tranquilizá-la, pois o que acontece com você não é falta de desejo, mas sim ambivalência.

A ambivalência não significa dizer que você resiste em fazer as mudanças necessárias para emagrecer. Nesse contexto, a ambivalência sinaliza a existência de um conflito psicológico entre dois desejos. “Eu sei que preciso fazer exercícios físicos para queimar mais calorias e emagrecer, mas acho tão difícil acordar cedo”, me disse uma paciente em uma sessão, durante a qual eu procurava explorar seus aspectos motivacionais. Assim como minha paciente, muitas pessoas possuem motivos de sobra para modificar seus comportamentos em prol da saúde e bem-estar, mas também possuem quantidade igual de motivos para manter o status quo.

Temos então dois lados da mesma moeda: um a favor da mudança e outro que se opõe ferrenhamente a ela. Isso faz com que muitas pessoas fiquem paralisadas diante dessa ambivalência. Imagine como eu fico quando ouço familiares de meus pacientes dizendo que eles não mudam porque no fundo não desejam mudar. Minha reação é dizer: “Alto lá (não com essas palavras, claro)”. Eu defendo meus pacientes (aproveitando a deixa para fortalecer nosso vínculo, afinal de contas é ótimo sentir-se compreendido), já me preparando para, em conjunto com esse paciente, mergulhar numa profunda busca por uma motivação intrínseca, ou seja, um desejo tão forte e seu, que faz a moeda cair no lado a favor da mudança.

Aí então é que se inicia uma nova etapa da psicoterapia para modificação de comportamento (que enfim leva ao emagrecimento), a qual chamamos de prontidão para a mudança. Nela, vamos explorar o quanto o paciente está pronto para iniciar esse processo. 

Agora, pare alguns minutos e avalie o seu desejo, a sua motivação. Percebe-se ambivalente quanto à mudança? Voltando ao caso da paciente que desejava praticar exercícios físicos, mas não gostava da ideia de acordar cedo, resolvi fazer o seguinte exercício com ela: pedi que ela fechasse os olhos por alguns minutos e que se imaginasse acordando trinta minutos mais cedo as segundas, quartas e sextas-feiras para praticar exercícios. Enquanto se imaginava assim, optando por produzir em sua vida uma mudança positiva, perguntei-a como ela achava que sua vida seria caso isso realmente acontecesse. Ela abriu um sorriso, abriu os olhos e disse: "minha vida será (assim mesmo, afirmativamente) ativa, saudável e feliz". Respondi com outro sorriso e começamos, juntas, o processo de mudança.

*Ana Spenciere é psicóloga clinica formada pela PUC-GO. Pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental e coach de Bem-Estar e Emagrecimento. Idealizadora do Método de psicoterapia para emagrecimento chamado Programa Emagreça +( www.programaemagrecamais.com.br).

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