Comportamento

Enamore-se

Cristina Dourado
Vilma de Amorim Couteiro é casada há 49 anos com José do Carmo Couteiro.


“Sem amor, eu nada seria”, canta a saudosa voz de Renato Russo. Se, por um lado, é bom amar e ser amado, melhor ainda é ter amor-próprio. Na verdade, especialistas em relacionamento sempre dizem que o verdadeiro amor pelo próximo passa primeiro por um processo de autoconhecimento. No clima do Dia dos Namorados, Ludovica conversou com quatro mulheres, que compartilham diferentes formas de amar.

“Amar sempre, amar primeiro e recomeçar”

No dia 17 de junho, vamos completar bodas de ouro. São cinquenta anos juntos. Nós temos três filhos, seis netos e agora ganhamos uma bisneta. Meu marido é muito especial. Sempre foi bom pai, bom esposo, atencioso e carinhoso. Acredita que até hoje ele me presenteia com flores? Eu também sou carinhosa. Apesar da minha idade, eu procuro estar arrumada, sempre com um batonzinho. Isso tudo cativa! Ele sempre me elogia, às vezes eu nem estou arrumada, mas ele me elogia. Ah... nós só nos chamamos de ‘amor’, e não pelo nome. Nós namoramos por um ano e ficamos noivos durante um ano e meio. O mesmo padre fez nosso noivado, nosso casamento e vai fazer nossas bodas de ouro. Bonito demais, né? Muita gente me pergunta qual é a fórmula do nosso relacionamento, e eu sempre digo: ‘amar sempre, amar primeiro e recomeçar’. A gente não tem que esperar o outro tomar a iniciativa, precisamos ser o primeiro a amar. Acho que as pessoas precisam aprender a recomeçar e a perdoar, até nas pequenas coisas. Sem falar no companheirismo... às vezes eu estou meio pra baixo e ele faz uma piada, dança e a gente sempre termina rindo. Mas, sabe, chegar na minha idade é muito bom, tudo fica melhor e parece que a gente está namorando outra vez. Nós não temos mais aquela preocupação da juventude de juntar dinheiro e criar os filhos. Agora é hora de colher o que a gente plantou.

Vilma de Amorim Couteiro, 74 anos, aposentada, casada há 49 anos com José do Carmo Couteiro. 

“Nunca esperei alguém para me completar, mas sim que me transborde”

Nós começamos a namorar em 23 de abril deste ano, dia de São Jorge. A gente se conheceu por acaso e em dois momentos diferentes. A primeira vez que nos vimos foi no dia da minha colação de grau. Depois da cerimônia, saí com uns amigos para comemorar em um bar. Ele apareceu por lá, sentou na minha mesa porque é amigo de umas amigas. Eu disse que o chope do bar não era mais o mesmo. Ele concordou, nós rimos e dividimos algumas cervejas. Num outro dia, em uma festa, uma amiga nos ‘apresentou’ (confesso que já não me lembrava dele mais) e foi a partir daí que começamos a nos conhecer melhor. Com pouco mais de um mês, ele me chamou para namorar e eu aceitei (risos). Começo de namoro é sempre o mesmo! A gente não tem tanta intimidade, mas aos poucos um descobre o universo do outro. Você ainda tem receio de ir à casa, conhecer a família, os amigos. Sempre tem uma pontinha de preocupação por não saber exatamente do que o outro gosta, mas sei que isso vem com o tempo. Sobre o Dia dos Namorados, ainda não me atentei para isso... acho que vou dar um presente convencional, como roupa ou relógio, e eu espero que ele goste, claro! Eu estou bem feliz! Sempre aprendi que não podemos confiar nossa felicidade nas mãos de outra pessoa. Nunca esperei alguém para me completar, mas sim que me transborde. E é isso que estou tendo agora.

Ana Paula Moreira, 23 anos, jornalista, namora Bruno Ruis
 
“Nós tivemos a possibilidade de nos construir”

Namoro há 12 anos e estou noiva há um. Sou psicóloga, especialista em relacionamentos amorosos e muita gente me pergunta: ‘como você consegue ficar com o mesmo homem por tanto tempo?’ ou ‘o que vocês têm que possibilita um relacionamento estável?’. Nós temos muito desejo de casar e construir nossa família com os nossos valores e princípios; somos eufóricos para sermos pais. Nós nos conhecemos no ensino fundamental. Estudamos juntos desde a sétima série, mas foi na oitava que nos apaixonamos. Eu me lembro claramente de que não gostava dele até o momento de vê-lo chorando porque soube que tinha sido traído. Eu me sensibilizei com a situação. Ficamos amigos e, depois, namorados. No início, foi um namoro bem colegial. Passamos no vestibular, fomos para a faculdade e com o tempo, aprofundamos nossa relação e fortalecemos nossa parceria. Somos amigos desde o início! Nosso casamento está marcado para dezembro deste ano. Vamos nos casar em Quadrado, Porto Seguro, na capela onde meus pais renovaram os votos de 30 anos de casamento. Teremos tudo o que mais amamos: nossos pais, irmãos, alguns familiares, amigos e a natureza perfeita do lugar. Está sendo um sonho! Depois desse tempo todo juntos, posso garantir que somos extremamente felizes. Nós tivemos a possibilidade de nos construir, estando numa parceria tão amorosa. É muito gostoso ver o nosso crescimento e amadurecimento. São muitas histórias, momentos e lembranças. Nosso desejo é continuar construindo nossa vida em conjunto, sendo dois e igualmente um. Para esse Dia dos Namorados, vamos comemorar em Vinhedo, São Paulo. Normalmente passamos em Goiânia mesmo, mas dessa vez decidimos passear. O espaço físico contribui para um momento de intimidade e sintonia.

Lívia Tomás, 26 anos, psicóloga, noiva de Khayo Rocha Visconde 

“Estar sozinha por opção não é ter o coração fechado”

Estou solteira desde fevereiro de 2015. Tive dois namoros longos, um de seis anos e outro de um ano e meio. Depois que terminei, passei por algumas situações bem desagradáveis. Não foram relacionamentos sérios, mas casos. O último foi a gota d'água e eu percebi que estava gastando minha energia e foco com motivos errados. Eu sempre fui bastante romântica e idealizadora do amor. Sempre tive essa coisa de não querer ficar sozinha e de precisar ter um companheiro, não namorado, mas de estar me relacionando com alguém. Depois dessa decepção, notei que antes de conquistar alguém, eu precisava trabalhar meu interior. O motivo de eu não me relacionar com ninguém é me conhecer melhor. No começo foi bem difícil! Quando eu decidi ficar solteira e sozinha, todos os caras do passado ressurgiram. Mas mesmo assim, não era algo que eu queria. Se o universo me trouxer alguém, ótimo! Se não, está ótimo também. Hoje eu entendo que estar sozinha é se sentir mais confiante e forte, analisando outros aspectos da minha vida que me fazem feliz. Eu não preciso de um relacionamento para suprir minhas necessidades. Tenho família, amigos, trabalho. Eu tinha tudo isso à minha volta, mas não dava a atenção necessária. Hoje as coisas estão mais equilibradas. É bom esclarecer que estar sozinha por opção não é ter o coração fechado. Coração fechado é você rejeitar toda possibilidade que aparecer. Eu continuo saindo, continuo me expondo para a vida. Eu não estou trancada em casa, não sou antissocial. A minha vida segue normalmente e, se surgir alguém, a minha avaliação sobre essa possibilidade vai ser diferente, mais inteligente, natural e assertiva. Ah... o Dia dos Namorados? Tem muito tempo que eu não comemoro a data com alguém. Confesso que já sofri por isso, mas hoje é uma data como outra qualquer. E eu fico feliz em ver as pessoas celebrando o amor!"

Thais Marques, 31 anos, blogueira 

Cristina Dourado
Ana Paula Moreira namora Bruno Ruis
Cristina Dourado
Lívia Tomás está noiva de Khayo Rocha Visconde
Arquivo pessoal
Thais Marques está solteira desde 2015
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