Comportamento

Jheinnifer Lima: da pele para o Instagram

Danny Dornelo

Na mão, ainda cicatriza o resultado da mais recente ida ao estúdio de tatuagem. Mais acima, no braço, a jaqueta camuflada esconde parte das marcas na pele que conquistaram 125 mil pessoas no Instagram. A administradora Jheinnifer Lima, de 29 anos, é a dona dessas e de outras tatuagens espalhadas pelo corpo. Além dos braços, os desenhos aparecem nas costas, na perna, no quadril e no pescoço e foram o chamariz para o crescimento do perfil da jovem na rede social, @jheinniferlima. 

Por alguns anos, Jheinnifer dividiu o tempo entre o trabalho no escritório e os projetos relacionados ao Instagram. Na empresa, adotou calça jeans e camisa como uniforme. “Algumas pessoas nem sabiam que eu tinha tatuagem porque eu escondia todas”. Ela conta que também percebia olhares tortos e preconceituosos na rua. Já saiu de um shopping por não se sentir bem com a situação. “Era uma patricinha com o braço ‘fechado’ no meio do shopping. Por um lado, senhoras de idade vieram me dizer: ‘que linda’. Já outras pessoas... Hoje eu sou mais tranquila. É uma questão de autoconhecimento.” 

Aos 17 anos, Jheinnifer se encantou com uma rosa tatuada “de mentirinha” em uma modelo num editorial de lingerie de uma revista. Ela esperou por mais de dois anos para levar a mesma referência a um estúdio e transformar o desenho que imaginou em uma marca permanente nas costas. “Meu pai queria morrer! Acho que ele tinha medo de as pessoas não me aceitarem.” Hoje, o pai é um dos grandes incentivadores da carreira de Jheinnifer. Ele acompanha todos os dias as postagens e comentários no Instagram da filha “e manda WhatsApp para conferir se eu respondi as seguidoras”, como ela conta aos risos. Com os pontos acertados em casa, Jheinnifer não parou mais. Encarou uma sessão de dez horas para fazer uma caveira nas costas. Durante dez meses, bateu ponto no estúdio para fechar o braço com borboletas, rosas e outros desenhos que têm significado especial para ela. 

No meio desse processo, o Instagram da moça começou a crescer. Depois de um início despretensioso, Jheinnifer percebeu o potencial da mídia quando marcas goianas a procuraram para ações de marketing. Logo vieram a “presença” em eventos e os pacotes com roupas, acessórios e todo tipo de lançamento que não param de chegar em casa. No fim de 2016, ela decidiu se dedicar integralmente ao mundo online – e os trabalhos off-line que dependem dele.

Hoje a rotina é não ter rotina. Sessões de fotos, reuniões com clientes, respostas às seguidoras, eventos e publicações no Instagram fazem parte do dia a dia. “Demorou um pouco para eu me considerar uma influenciadora”, conta ela, citando o termo usado para definir as pessoas que – com uma publicação, foto, tweet ou vídeo –  influenciam comportamento e estilo de consumo. São os formadores de opinião de antigamente. 

Os seguidores de Jheinnifer, a maioria mulheres, querem saber tudo sobre ela: tatuagens (“evito publicar fotos detalhadas delas. É algo tão pessoal, né?”), corte de cabelo (“não faço um novo há um ano”), cor dos fios (“estou deixando a raiz crescer para retocar o loiro”), modelo da camisa (“vale qualquer uma! Camisa é camisa”). Pelas respostas, dá para ver que a jovem que vive da visibilidade tem um jeito mais descolado. Mas isso não significa que não seja vaidosa. Resolveu dar uma chance para a toxina botulínica em algumas marcas de expressão e ao ácido hialurônico nas olheiras, mas “morrendo de medo de não parecer mais comigo mesma”. Também encarou o silicone. 

Craque nas selfies, Jheinnifer ainda tem um pouco de dificuldade quando o assunto é vídeo. Ela conta que nem aos vídeos que publica no Stories do Instagram costuma assistir depois que clica na setinha para compartilhar na rede. No Youtube, então... “Youtube leva muito tempo para produzir. Os vídeos que eu fiz lá estão horríveis. Ainda não consigo lidar com uma câmera, um videomaker, uma equipe nos bastidores. Eu travo. Tem muita gente que reclama e diz que eu sou muito seca, mas meu jeito é esse.” Hoje ela prefere concentrar os esforços no Instagram. “Não sei até quando isso vai durar. Então espero usar essa oportunidade para criar algo mais concreto, abrir alguma coisa minha.” 

Apesar de trabalhar com a exposição da própria imagem, Jheinnifer diz que aprendeu a lidar bem com os limites da privacidade. As fotos com o marido, o personal trainer Lissandro Lopes, são raras. Vídeos feitos em casa também. O apartamento do casal, inclusive, é o lugar preferido da digital influencer. “Não tenho vontade de me mudar para São Paulo. Eu amo Goiânia. Minha família, meu marido e minhas cachorras estão aqui. O Instagram virou uma profissão, mas não penso em viver de viajar. Não tenho esse desejo, não.”

Danny Dornelo
Danny Dornelo
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