Comportamento

Saúde bucal: o começo de tudo

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O que hoje são considerados casos simples como cárie, hipersensibilidade ou gengivite podem se tornar problema comprometedores. A prevenção é sempre o melhor caminho, com visitas periódicas ao dentista, de preferência a cada seis meses. A cárie ainda é o problema mais comum entre os brasileiros, seguida pelos problemas periodontais (que afetam a gengiva) e pela perda de dentes. 

A boa higienização pode evitar, por exemplo, diagnósticos como a gengivite, um quadro inflamatório causado por uma película de bactérias instalada nos dentes e na gengiva. Se as bactérias não forem retiradas pela manutenção diária, os ácidos produzidos por elas irritam o tecido gengival. A evolução pode levar a uma periodontite e causar danos permanentes aos dentes. “Infelizmente sabemos que ainda há pessoas no Brasil sem acesso à escova, pasta de dente ou fio dental, o que confirma ainda mais a realidade de perda de dente entre a população mais carente”, ressalta o cirurgião-dentista Cassiano Medeiros. 

O periodontista é o especialista no tratamento das gengivas. Ele vai verificar o espaçamento entre os dentes e o tecido e conferir a higienização, tirando as placas, com o alisamento radicular, que consiste em alisar a superfície da raiz do dente para evitar nova acumulação de placas. Em casos mais avançados, em que o espaçamento é muito grande, talvez seja necessária uma cirurgia bucal. 

Xô, mau hálito!

Aliás, a gengivite e periodontite são em parte responsáveis por outro problema comum: a halitose, um alerta do corpo de que algo não está bem. “A halitose é um diagnóstico que exige um aprofundamento maior por parte do dentista, já que pode ser de origem bucal ou extrabucal. Nesses casos, seu tratamento é somado ao exame clínico de outros profissionais como o médico gastroenterologista”, detalha Medeiros.

Excesso de tecido gengival, feridas cirúrgicas, cáries abertas e extensas, próteses mal adaptadas ou câncer bucal também podem estar entre as causas. Mas na maioria dos casos, a escovação correta da língua já diminui muito o odor desagradável, causado principalmente pela saburra lingual fixada. 

Mas como tudo na vida exige o equilíbrio, escovar muito os dentes ou de maneira indelicada pode também gerar a hipersensibilidade, um fator que incomoda no dia a dia. “A escovação exagerada pode trazer problemas oclusais, ou seja, a falta do correto encaixe dos dentes por causa da sensibilidade ao toque entre a parte debaixo e de cima da boca, e até o bruxismo”, lembra o dentista, citando o termo designado para o ranger e forte apertar dos dentes.

O importante é lembrar que a visita ao dentista não é mais sinônimo de dor. Para os casos citados, as soluções podem ser simples e consideradas rápidas dentro da odontologia. Mas uma visita ao consultório duas vezes ao ano durante 15 minutos pode dizer que caminho se deve seguir. Os exames periódicos previnem, inclusive, o câncer bucal, geralmente identificado por pequenas lesões não tratadas em seu início.

Quem avisa amigo é

Você pode até conhecer uma pessoa que sofre com mau hálito, mas o difícil é avisá-la do problema. Afinal, sobra constrangimento e falta jogo de cintura. A Associação Brasileira de Halitose (ABHA) criou uma ferramenta para ajudar quem vive essa situação. Basta entrar no site www.abha.org.br/sos-mau-halito e enviar uma mensagem com o nome da pessoa e o e-mail. A própria ABHA se encarregará de ajudar quem precisa do tratamento. 

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