Noivas

O altar é ali

Thamires Rodrigues
Priscila e Guilherme


A noiva de branco entrando pela igreja, a valsa na festa, o corte do bolo e o brinde do casal. Ah, o bom e velho casamento tradicional! Bem distante de tudo isso, casais têm inovado e buscado locais inusitados para selar o amor. É o caso da decoradora de eventos, Priscila Miranda, 21, e do designer gráfico, Guilherme Carneiro, 24. O jovem casal teve como cenário de casamento um beco. Isso mesmo! O Beco da Codorna fica no Centro de Goiânia e é cercado por ruas cheias de grafites e muita cultura no ar.

A vontade do casal era realizar uma recepção ao ar livre e algo mais despojado. Priscila conheceu o beco durante um evento e, quando se lembrou daquele cantinho especial da capital goiana, deu a ideia ao atual marido. Num primeiro instante, Guilherme levou um grande susto. Mas logo os dois chegaram à conclusão de que aquele local seria o ideal para trocarem as alianças.

Priscila conta que a família achou a decisão bem estranha. “Houve até crise de choro”. Decidida, ela fez o projeto de decoração e, durante meses, foi até três vezes por semana ao local para planejar como seria o dia especial. No fim, tudo saiu como eles sonharam. 

A cachorrinha levou as alianças, a cerimônia foi realizada por um pastor e as comidinhas eram bem diferentes do tradicional cardápio de casamento. “Alugamos barraquinhas e tinha crepe, batata frita, algodão doce, bolo e mousse de pote”. 

A tarde de domingo do dia 31 de janeiro de 2016 ficou marcada para sempre para o casal e os mais de 200 convidados que compartilharam aquele momento. “Apesar de, no princípio, muitos se assustarem, aquele lugar ficou mágico, lúdico. Todos ficaram encantados”.

A organização do Beco

Quem acha que um casamento num local longe do tradicional é mais fácil de se organizar se engana. Priscila e Guilherme juntaram a família e os amigos um dia antes da festa e lavaram todo o Beco. “Ficou com outra cara, todo cheiroso”. 

Mas o trabalho ainda não tinha terminado. Como o local é público, alguém andou sujando um pouquinho a rua por onde a noiva iria passar, mas nada atrapalhou o sonho daquele dia. Poucos minutos antes da cerimônia começar, o noivo deu um jeito de deixar tudo limpinho de novo. Enquanto isso, Priscila se arrumava em casa com a ajuda de uma amiga. 

E foi ali, num cenário emoldurado por paredes cobertas de arte urbana, que o casal jurou amor eterno. “Não podia ter ficado mais feliz com a nossa escolha”, diz Priscila, já nostálgica por aquele dia.

Veio fazer a barba, senhor?

Que nada! Uma barbearia em Goiânia foi palco de uma animada festa de casamento. E foram o empresário Ricardo Oliveira, 33, e a maquiadora Juliana Campos, 29, que comandaram a comemoração. Ricardo conta que eles queriam se casar de uma maneira diferente do tradicional. Até cogitaram a ideia de celebrar a união em uma praia, mas muita gente querida não poderia participar.

Diante disso, tiveram a ideia de fazer a festa na barbearia do próprio Ricardo. Seria o espaço ideal para o estilo do casal, com muito rock e descontração. O casamento civil aconteceu em um cartório, com a presença de alguns parentes mais próximos, e depois eles saíram direto para a barbearia, onde já estava rolando um show com chope, pizza, hambúrguer e crepe para mais de 200 convidados.

Para Ricardo, o principal motivo da escolha deste local, no mínimo, curioso foi o fato de poder convidar todas as pessoas que ele a noiva queriam. Se fosse em um espaço de festa tradicional com bufê, teria que cortar muita gente da lista, porque costuma-se cobrar o valor por pessoa. Além disso, “ali é a nossa cara”, diz o recém-casado. A barbearia tem um estilo vintage, com até sinuca e videogame. 

De tradicional nesta celebração, só a noiva com um vestido branco impecável, o corte do bolo e o brinde do casal. Para quem deseja quebrar protocolos como eles, Ricardo incentiva. “É preciso buscar fazer uma festa no estilo do casal e não no estilo que os outros querem. É preciso inovar, sair da zona de conforto. Quando você quebra isso, você está colocando essas pessoas também neste conceito. A princípio, tem aquele suspense, mas logo as pessoas compram a ideia”, diz Ricardo, que seguiu com Juliana para Playa Del Carmem, no México, como destino da lua de mel.

Entre nuvens

A troca de alianças entre a bancária Letícia Conti, 35, e o analista de sistemas Uellinton Mendes, 41, aconteceu em Boituva, São Paulo. Até aí, nada de diferente, se não fosse pelo fato de ter sido nos ares da cidade paulista. Os dois já eram casados no civil desde 2009, mas ainda tinham a vontade de fazer algo para marcar a nova etapa. Eles se casaram a quatro mil metros de altura.

“Nunca pensamos em casar em igreja. Mas casar no ar era a nossa cara”. Os dois se conheceram durante uma aula de paraquedismo e hoje são paraquedistas profissionais. No avião e devidamente uniformizados, eles trocaram as alianças na presença de oito padrinhos, também paraquedistas. O casal saltou junto, enquanto os padrinhos fizeram um círculo ao redor deles. Isso tudo foi registrado por um fotógrafo profissional. 

Para aqueles que não tiveram coragem de se aventurar, Uellinton conta que, antes da ousadia entre nuvens, houve uma singela cerimônia em terra, realizada pelo instrutor de paraquedismo. Já se passaram quatro anos e o casal continua saltando pelo menos uma vez por mês, mas nada se compara àquele dia de celebração da expressão do mais puro amor. 

Mauro Rosa - Gouveia Roenick
Juliana Campos
Duo Borgatto
Letícia Conti
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