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Candidíase bucal: tratamento para quem usa dentadura

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Se você ainda pensa que quando envelhecermos, vamos usar dentaduras, você está redondamente enganada. E se você acha que apenas pessoas mais velhas usam esse tipo de prótese, saiba que esse também é um erro. Muitos jovens são usuários de dentaduras. É claro que a odontologia evoluiu muito. Não se remove dentes como tempos atrás e os implantes são mais acessíveis. Entretanto, mesmo assim alguns são impossibilitados, seja por causas financeiras ou por condições de saúde, de receber o que hoje melhor substitui os dentes: o implante dental. 

Pra quem usa a prótese total (como é chamada a dentadura) desde muito jovem, como no caso de algumas avós que passaram por uma odontologia mutiladora, é comum que elas se sintam bem quando precisam substituir a mesma. Entretanto, para quem precisa passar por isso na atual conjuntura, fique certo que isso não é nada fácil. E como sempre digo, na vida nada é permanente. Por isso, precisamos substituir as próteses em média a cada cinco anos ou mais. A sugestão da troca acontece quando os dentes da prótese já não cumprem a função da mastigação ou a função estética.

Outro ponto muito importante sobre o uso e a troca da prótese está relacionado com a higiene, já que a falta dela pode ocasionar problemas. Uma doença muito comum nos usuários de prótese é a candidíase bucal. A doença é provocada por fungos que amam ambientes úmidos, escuros e ácidos. Isso, somado a dificuldade de higienização da boca, da prótese e a baixa salivação, é um “prato cheio para a festa” desses micro-organismos, que podem passar imperceptíveis. 

A candidíase pode apresentar sinais clínicos como manchinhas ou pontilhados no palato (céu da boca), mas nem sempre ela apresenta sintomas como desconforto, ardência, edema (inchaço) e prurido (coceira). Entretanto, conforme o cuidado que o usuário tem com a dentadura, é possível perceber manchas na mesma. Sei que é uma comparação um tanto esdrúxula, mas sabe aquelas manchinhas que se formam no rejunte do revestimento da parede do box dos banheiros? Então, é tipo isso.

Muitas pessoas não recebem informações corretas sobre a manutenção da prótese, mas é isso bem simples. No entanto, se você faz parte do time que tem vergonha de remover as próteses em ambientes públicos para higienizar, saiba que no seu caso o risco de algum problema é um pouco maior. Por isso, faça a higienização se isso não te trouxer constrangimento ou se se não houver pessoas no ambiente público (banheiros utilizados por mais de uma pessoa).

Me lembro de que a minha avó, quando ainda não sofria com o Alzheimer, não gostava de tirar a prótese na frente da família. Eu, como especialista da área, sinto esse mesmo receio em todos os meus pacientes que usam próteses removíveis. Por isso, é preciso ser uma profissional delicada e pedir licença antes de remover a prótese da boca do paciente. Tenho certeza que essa é a condição mais íntima daquela pessoa. 
Mas qual o tratamento para candidíase bucal? 

Já sabemos que a boca influencia no organismo e vice-versa. Então, precisamos investigar as condições de saúde do paciente, os hábitos de vida, a história médica-odontológica regressa e ouvir as queixas do paciente. Fungos são micro-organismos extremamente resistentes. A terapia convencional usa medicações antifúngicas sistêmicas e/ou tópica. Já a terapia integrativa e complementar, usa a Terapia Fotodinâmica Antimicrobiana (aPDT), tanto na boca como na prótese. As maiores vantagens dessa terapia frente a convencional são que ela não oferece resistência microbiana, atua apenas na região tratada (não interferindo na microbiota sistêmica), pode ser empregada em gestantes ou lactantes, não depende da colaboração do paciente (o que acontece quando ele toma medicamento sistêmico ou faz uso do tópico) e conta com baixo custo financeiro e biológico.

No entanto, o melhor tratamento sempre foi e será a prevenção. Ela é feita por meio das consultas odontológicas, que devem acontecer a cada seis meses. Os cuidados com a prótese, a alimentação saudável, a prática da atividade física para melhorar a imunidade e também, se manter informado, porque na saúde nada é exato e tudo muda de um dia para o outro, são outras forma de se prevenir.

Tenho certeza que se você continuar acompanhando o meu blog, você estará sempre por dentro da realidade da saúde bucal.

*Karyne Magalhães é cirurgiã-dentista, habilitada em Laserterapia e qualificada no tratamento da Halitose, vice-presidente da Associação Brasileira de Halitose (Abha), membro da Associação Brasileira de Odontologia (ABO-GO) e membro da Sociedade Brasileira de toxina botulínica e implantes faciais (SBTI). Acesse karynemagalhaes.com.br e botoxgoiania.com.br.

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