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Os prejuízos do mau hálito

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Quer saber um problema que faz muita gente sofrer calada? O mau hálito. Afinal, assumir essa condição não é fácil. E só a suspeita do problema já causa na pessoa que desconfia sofrer com isso insegurança, receio e, muitas vezes, um sentimento de inferioridade perante a sociedade. Isso tudo muitas vezes, ao invés de ajudar, atrapalha, assim como chacotas e “brincadeiras” de mau gosto. 

E o que é o mau hálito? Bem, a também chamada halitose é a sinalização de um desequilíbrio que normalmente acontece na boca, embora possa acontecer no sistema geral. O mau hálito apresenta algumas classificações que são relevantes no tratamento. São elas:

Halitose clínica: o paciente não sente o hálito alterado, mas as pessoas próximas a ele relatam sentir e os exames confirmam. 

Halitose subclínica: o paciente sente o hálito alterado, mas nenhuma pessoa próxima relata sentir e os exames não confirmam.

Halitose mista: o paciente sente o hálito alterado e as pessoas e os exames confirmam. Ou seja: é a combinação da halitose clínica e subclínica. 

Quando atendemos pacientes com halitose subclínica ou mista, é preciso comprovar para o paciente que “dois mais dois são quatro”. Isso porque normalmente o paciente já passou por cirurgia para remover os sisos, as amígdalas, consultou outros cirurgiões-dentistas, médicos, gastroenterologistas, otorrinolaringologista, dentre outros. Sendo assim, imagine o trabalho que dá para convencer a pessoa que, na maioria das vezes, o tempo e os recursos financeiros foram dispendidos à toa. Se aquele paciente houvesse buscado por ajuda especializada, o tempo de sofrimento poderia ter menor duração e as consequências da halitose menos sequelas. 

Além disso, muitos pacientes desconfiam do diagnóstico quando o resultado é halitose subclínica. Isso porque ele sente o mau odor e o profissional afirma que o problema pode estar relacionado a outros transtornos que faça ter essa percepção, mas que isso não afeta o olfato de quem quer que esteja próximo. É muito difícil, porque é muito comum ouvir dos pacientes que sentem ter mau hálito que “já fizeram de tudo”, dentre mascarar o hálito com balas fortes até bochechar álcool puro, para se livrarem daquilo que só eles sentem. 

Nesses casos, para mim, o maior prejuízo é o isolamento social, já que vários se ausentam das tarefas rotineiras que gostavam de fazer, como trabalho, festas, academias, relações amorosas, viagens e convívio social.  E olha que esse é um problema que afeta boa parte dos adultos jovens, sem distinção de classe social e econômica, gênero e raça. Pessoas saudáveis, mas “doentes” de preocupação quanto a isso. 

É triste ver quantas pessoas esperam dois, sete, quinze, vinte anos ou mais para procurar ajuda. É muito ruim ver pessoas que acreditam nas soluções milagrosas vendidas pela internet, nas consultas via WhatsApp, no engano do marketing “chamariz”, que promete cura e tratamento definitivo, sendo que na saúde não podemos prometer nada por sermos organismos vivos e distintos.

Por isso, é importante ressaltar que profissionais da saúde não podem realizar consultas à distância. Afinal, não podemos nos basear apenas em queixas e sintomas relatados pelos pacientes. Nós temos a obrigação de aferir os sinais no exame clínico e, se preciso for solicitar exames que complementem a nossa suspeita diagnóstica. Então, não acredite em consultas por qualquer rede social que seja, muito menos em produtos vendidos sem indicação do seu cirurgião-dentista, prometendo a solução. Não se deixe fragilizar pelos prejuízos do mau hálito. Trate a tempo, com o especialista.

*Karyne Magalhães é cirurgiã-dentista, habilitada em Laserterapia e qualificada no tratamento da Halitose, vice-presidente da Associação Brasileira de Halitose (Abha), membro da Associação Brasileira de Odontologia (ABO-GO) e membro da Sociedade Brasileira de toxina botulínica e implantes faciais (SBTI). Acesse karynemagalhaes.com.br e botoxgoiania.com.br.

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