Educar faz parte!

É agosto e me pego reavaliando a escola do meu filho para 2019

Shutterstock

A cada dia que passa, famílias se sentem mais incomodadas com a escolha da escola para as crianças e adolescentes. Porém, tem surgido um novo comportamento que muito me intriga: a busca por mudança de escola ao menor descontentamento, como se o ambiente fosse algo que não precisasse ter história acadêmica, de formação humana e ligação afetiva. Como se o ensino pudesse ser tratado de maneira fragmentada: “aquela promete isso e a outra não tem aquilo; essa peca nisso e a outra realiza”.

Outro ponto assustador é a tomada de decisão por uma escola de forma coletiva. Ora, cada família possui seus objetivos, princípios e valores. Uma escola não pode ser escolhida porque o colega está ou vai, e sim por atender ao que aquela família acredita como necessário para a melhor formação de seus filhos. 

Desde 1984 estou inserida como profissional da educação em instituições de ensino e a cada ano me assusto ainda mais com a precipitação das famílias no modo como avaliam as escolas. 

O que você busca? Qual é a sua visão de educação acadêmica? Você tem ido até a instituição onde seus filhos estão inseridos para entender o que é feito? Quais os recursos utilizados? Como realizam os planejamentos? Qual a formação dos docentes? Qual o investimento realizado na busca pela formação continua? Você tem feito parte da rotina da escola ou apenas a julga pelo que ouve e pelo pouco que vê? 

Uma escola é formada por pessoas que se dedicam à excelência do ensino, de acordo com o que acreditam: metodologia, ferramentas, processo avaliativo, atuação disciplinar, trabalhos interdisciplinares, formação humana. O que você conhece da escola de seu filho? Você acompanha os resultados individuais e coletivos? Muito tem se falado do pouco que, muitas vezes, é verdadeiramente conhecido. 

Como podemos ensinar ética e valores às crianças se as mesmas presenciam suas famílias propagarem informações, muitas vezes, sem ao menos checar a veracidade? Como permitir que o aprendizado seja concretizado se desautorizamos a instituição a cada julgamento e desconfiança sem poupar os discentes? 

Uma escola é formada por gente. Todo tipo de gente. É a segunda rede social a qual inserimos nossos filhos. É lá que eles crescerão e evoluirão no conhecimento escolar e de vida. Então, quanto mais a escola conhece a história dos seus filhos, mais poderá contribuir para sua formação. Quanto mais a escola individualiza, busca conhecer cada necessidade, mais poderá fazer com que seu filho cresça.
 
Outro aspecto muito importante é entender que a escola atual é diferente. A instituição moderna não pode ter as mesmas regras que uma escola tinha em 1970, por exemplo. O mundo mudou. Novas demandas e necessidades surgiram, a começar pela diferença emocional das crianças de antes e as de hoje. As leis que regem o sistema escolar também mudaram. É preciso ir até a escola de seus filhos buscar informações sobre a orientação educacional e disciplinar. Muitas situações ocorridas no âmbito escolar ficam restritas às famílias dos envolvidos. 

Enfim, antes de inserir seus filhos em um ambiente desconhecido, dê oportunidade de conversar com a escola que, um dia, foi escolhida. Reflita se você não está sendo influenciado por algo em que precisará ir mais a fundo. Não desconsidere a história afetiva com a instituição. Vá além. Analise os resultados de crianças e adolescentes que já passaram por todo o ciclo educacional que a escola oferece. Como estão academicamente? Como estão enquanto pessoas? Isso é fundamental. 

 

*Fabíola Sperandio T. do Couto é pedagoga, psicopedagoga e terapeuta de família e casais. Ela é membro do IBDFAM Goiás, mestranda em Educação e concluindo a especialização em Organização e Gestão de Centros educacionais. Atua em educação desde 1984 e em consultório desde 1999. É diretora pedagógica de instituição privada do Infantil l ao 9ºano, palestrante e consultora na área educacional e familiar. Publica periodicamente no blog "Educar Faz Parte" (Organização Jaime Câmara/Globo/Ludovica) e na Editora GD.
 
Os comentários publicados aqui não representam a opinião da plataforma e são de total responsabilidade de seus autores.

Comentários
Os comentários publicados aqui não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade de seus autores.
POR DATA