Educar faz parte!

‘Tenho seis anos e sofro de ansiedade’

Shutterstock

Olhei para essa linda criança de cabelos cacheados, com um laço de fita bem exuberante e um olhar meigo, trazendo uma “condenação” na fala: “Eu tenho doença de ansiedade”. Pedi para que ela me falasse mais sobre a sua “doença” e ela disse, com tanta rapidez, que até perdia o fôlego: “Eu sofro dessa doença, Tia Fabíola, acho que desde que nasci. Eu não aguento esperar nada. Se é dia de viajar, a mamãe nem me conta, porque senão eu nem durmo. Se minha amiga diz que vai lá em casa, eu ando pela casa sem parar até ela chegar. Se está perto do Natal, eu fico nervosa para saber se vou ganhar o que pedi ao Papai Noel”.
 
Bem, ela ainda acredita em Papai Noel. Tem a bela pureza da magia, porém, ao mesmo tempo, traz um conteúdo tão presente em nossa vida de adultos da modernidade. O que está acontecendo com as nossas crianças? Palavras como depressão, ansiedade e pânico têm saído da boquinha delas com muita facilidade. Será que estamos sendo adultos descuidados ao conversar sobre essas doenças psicoemocionais com as nossas crianças, nomeando-as e rotulando? E como ajudar uma criança que se vê com os sintomas e percebe que isso está prejudicando sua rotina? 
 
Primeiramente, acolhendo e entendendo o que ela pensa e sente. Deixá-la falar sobre isso é muito importante para conhecê-la. Depois, é preciso mostrar caminhos de superação para que alivie os sintomas e desapareça esse rótulo. Ela precisa se libertar daquilo que a faz sentir-se mal. Quebrar a rotina também é importante. Experimentar fazer as coisas de outra forma ou em outra sequência fará com que ela lide com as expectativas internas e com a acomodação, que gera uma falsa segurança. 
 
Inseri-la em atividades físicas coletivas é um excelente recurso. Ela terá que lidar com as suas demandas internas e com os demais também. Desenvolverá o autorrespeito e o respeito ao próximo. Fazê-la dar uma parada nas atividades quando perceber que ela está excedendo os limites também ajudará muito. Gerará uma oportunidade de diálogo, orientando novas formas de resolver a situação sem desgaste de energia e emocional.
 
Valorizar mais as qualidades e as vitórias gerará segurança. A segurança trará maior autoestima. Isso é essencial. Outro ponto essencial é permitir que a criança desabafe. Permitir falar sobre, chorar, ficar quieta, entender a frustração. Frustração! Precisamos ensinar nossas crianças a lidarem com frustrações, mas esse é um outro tema que em breve tratarei aqui. 
 
*Fabíola Sperandio Teixeira do Couto trabalha desde 1984 em instituições de ensino e desde 1999 em consultório. Pedagoga, psicopedagoga, especialista em Organização e Gestão de Centros Educacionais, especialista em Ensino Superior,  terapeuta de Família e Casais e mestre em Educação. Publica periodicamente no Blog Educar Faz Parte LUDOVICA - Organização Jaime Câmara e na Editora Geração Digital. Membro atuante no IBDFAM - Instituto Brasileiro de Direito de Família e associada na ATFAGO - Associação de Terapia Familiar de Goiás.
 
Os comentários publicados aqui não representam a opinião da plataforma e são de total responsabilidade de seus autores. 
 
 
 
Comentários
Os comentários publicados aqui não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade de seus autores.
POR DATA