Educar faz parte!

Vamos ensinar nossos filhos a serem guerreiros?

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Se repararmos em algumas canções e contos infantis, vamos perceber que lançamos um pensamento cultural. Essa cultura reproduzida muitas vezes gera um pensamento de que podemos ser salvos magicamente por alguém. Basta aguardar que algo bom irá acontecer. Pensamentos fantasiosos fazem parte da infância de forma saudável até um determinado tempo, certo? Diante disso, faço um convite para que possamos ficar atentos ao que oferecemos aos nossos filhos.

Quando pequeninos, na fase infantil, eles usufruem muito mais da melodia do que da letra. O doce som da voz dos pais associado à melodia faz muito bem a eles. Com o tempo, os pequenos começam a entender a letra, captam as palavras e frases, mas não as interpretam totalmente ou além da fantasia da historinha. Não fazem ligações com a vida real. 

Acontece que as historinhas contadas e cantadas vão sendo arraigadas na cultura. E é exatamente aí que devemos nos atentar. Para ilustrar a minha fala, trago uma canção infantil para refletirmos. “A Linda Rosa Juvenil”, de autoria do famoso Carequinha, que tanto alegrou as crianças e tem o meu mais nobre respeito. É um exemplo que gostaria de dividir. Com toda licença poética, gostaria de fazer uma análise da letra dessa música.

A Linda Rosa Juvenil

A linda rosa juvenil, juvenil, juvenil
A linda rosa juvenil, juvenil
Vivia alegre em seu lar, em seu lar, em seu lar
Vivia alegre em seu lar, em seu lar
E um dia veio uma bruxa má, muito má, muito má
Um dia veio uma bruxa má, muito má
Que adormeceu a rosa assim, bem assim, bem assim
Que adormeceu a rosa assim, bem assim
E o tempo passou a correr, a correr, a correr
E o tempo passou a correr, a correr
E o mato cresceu ao redor, ao redor, ao redor
E o mato cresceu ao redor, ao redor
E um dia veio um belo rei, belo rei, belo rei
E um dia veio um belo rei, belo rei
Que despertou a rosa assim, bem assim, bem assim
Que despertou a rosa assim, bem assim
Batemos palmas para os dois, para os dois, para os dois
Batemos palmas para os dois, para os dois.

A canção lindamente traz a ideia de um lar feliz até que algo ou alguém ruim aparecer. E como temos momentos assim, não é mesmo? Quantas vezes estamos felizes em família e alguém passa a fazer parte (cuidadora, madrasta ou padrasto etc.) dela e o quadro muda? Ou um ente querido adoece e a doença passa ser a “bruxa má”, minando a nossa alegria? Acontece que a música mostra que o medo paralisou. A flor fica paralisada e até o mato cresce ao redor. O medo não pode nos paralisar. Temos que ensinar as nossas crianças a vencerem o medo. O mato é a representação da paralisia demorada, a ponto de ter crescido ao redor da flor.

Na vida real, o mato seria a representação das doenças emocionais e físicas: fobia social, depressão, a imunidade baixa, febres sem explicação, alergias etc. Diferentemente da rosa, nossas crianças não podem esperar “um rei” para despertá-las. Precisam receber orientações e ferramentas para se despertarem. Nossos filhos precisam aprender a se defender e entender que os momentos felizes devem ser gerados por eles e não por outros. 

A música é concluída com palmas para os dois. Palmas para a flor e para o rei. Para o rei, que tirou a rosa da paralisia, e para rosa, que aceitou o gesto do rei. Quero concluir a reflexão com as palmas para quem se propõe a pensar no que escrevi. Não de uma forma crítica a nada, nem a ninguém. Porém, como uma educadora que está sempre desejosa a aproveitar as oportunidades para ajudar as crianças a serem mais protagonistas e mais felizes.

Que, como pais, consigamos sair da postura de “rei salvador” e protetores para a ação de pais mestres em ensinamentos, promovendo a evolução dos filhos em todos os sentidos. Que “a linda rosa juvenil” não paralise frente às decepções, assédios morais ou sexuais, bullying, preconceito e qualquer outra situação que tire a criança de um momento feliz para uma situação “bruxa má”. 

*Fabíola Sperandio T. do Couto é pedagoga, psicopedagoga e terapeuta de família e casais. Ela é membro do IBDFAM Goiás, mestranda em Educação e concluindo a especialização em Organização e Gestão de Centros educacionais. Atua em educação desde 1984 e em consultório desde 1999. É diretora pedagógica de instituição privada do Infantil l ao 9ºano, palestrante e consultora na área educacional e familiar. Publica periodicamente no blog "Educar Faz Parte" (Organização Jaime Câmara/Globo/Ludovica) e na Editora GD.
 
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