Educar Sem Complicar

Como ensinar seu filho a consumir mais alegria no Natal?

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Você sabia que é um crime estimular a emoção das crianças para um consumo desenfreado, como afirma Augusto Cury? Segundo ele, as crianças têm pouco filtro intelectual e reagem sem pensar. Elas têm, portanto, uma capacidade de escolha em formação. Crianças e pré-adolescentes precisam ter infância e consumir mais alegria, aventuras, desafios e menos produtos. Empresas e programas infantis que massacram as crianças para consumir têm uma dívida impagável com a humanidade.

As publicidades são registradas inconscientemente e em frações de segundos pelo fenômeno RAM (registro automático da memória), formando uma janela no córtex cerebral que contém não apenas o produto, mas as benesses a ele associadas. Desse modo, gera-se uma mensagem subliminar, que faz com que o consumidor, ao ver ou pensar no produto, detone o gatilho da memória, abrindo a janela que gera o desejo instantâneo de possuir não apenas o produto, mas também o prazer, ainda que falso, a ele vinculado.

Estimular, portanto, a doação e preocupação com o próximo deve ser uma das metas, inclusive durante o Natal. Infelizmente, somos educados com o propósito de competir e ascender profissionalmente. A nossa sociedade é movida pela ambição de bens materiais. A busca da felicidade está no acúmulo de riquezas. O resultado são injustiças, conflitos, guerras, tristeza, egoísmo e desamor. Porque felicidade, afinal, não é estar radiante de alegria e de bom humor diariamente, mas permanecer em harmonia com a natureza humana.

Assim, é importante refletir se a felicidade se encontra nos objetos materiais. Além disso é fundamental que se questione se compensa as angústias e preocupações de não ter dinheiro para assumir as despesas provenientes dos “momentos de felicidade”, frutos da magia da quantidade de presentes. Tente desenvolver a busca da felicidade por meio do desenvolvimento da solidariedade. Você e seu filho podem, na prática, fazer uma faxina de roupas e brinquedos, que podem ser repassados para o próximo. Ensinar a criança a embrulhar os presentes para outras crianças carentes estimulará a vivência da felicidade. Imagine o inesquecível encontro com as mesmas.

Aprender a dividir e a doar envolve o verdadeiro espírito do Natal. Levar a criança a perceber nos olhos de outras crianças os sentimentos e dores multiplica seu potencial humano. Outra dica é praticar o consumo do amor, da paz, da alegria, da prosperidade, da união, da família, do perdão, do carinho, da compaixão, do respeito... É o verdadeiro espírito do Natal.

Assim, além de estimular a escrita de cartinhas para o Papai Noel, que carrega sonhos de coisas materiais, sugere-se que, se possível, escreva cartinha para Jesus, prometendo que durante o ano todo se lembrará de celebrar a fé e o espírito de solidariedade. Aproveite o mês de dezembro para contar sobre o significado do Natal, do nascimento de Jesus. Utilize desenhos, livros ou vídeos que possam auxiliar no visual para que a criança interaja com os personagens e com a história. A própria árvore de Natal pode ser utilizada para transmitir o espírito da época. A estrela de Belém, a manjedoura e outros detalhes podem ajudar a levar o significado do Natal para além do material.

À medida que a criança for utilizando a intensa capacidade amorosa que existe dentro dela, germinarão tal como uma semente em solo fértil os valores humanos em seu coração. Isso se refletirá no comportamento social e profissional. Independentemente de dificuldades, sofrimentos e decepções que, como todo o ser humano, ela encontrará em sua trajetória sobre a terra, será́ feliz. Porque felicidade, afinal, não é estar radiante de alegria e de bom humor diariamente, mas permanecer em harmonia com sua natureza humana.

* Dra. Virginia Elizabeth Suassuna Martins Costa é mãe de 3, avó de 3. Casada com o Chef Tony por 36 anos. Atualmente viúva. Psicóloga formada pela USP, doutora pela UnB, professora da PUC-GO, Gestalt-terapeuta com formação no Brasil e exterior. Proprietária da Gestalt Clínica, ITGT e do Instituto Suassuna. Autora de livros, capítulos de livros, artigos e pesquisadora do CNPq.

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