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Como lidar com o fim das férias e o próximo retorno às aulas?

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As férias colocam, entre parênteses, um cotidiano desgastante para pais e filhos, principalmente no que se refere a organização que se submetem para cumprir toda a agenda de compromissos, que fazem parte da educação das crianças. Além deles, o regresso à rotina faz ressurgir conflitos na intimidade familiar. Por outro lado, se todo o ano fosse de férias, seria provavelmente mais entediante do que enfrentar as atividades cotidianas assumidas.

Esse processo de retorno às atividades pode ser percebido de forma diferente para cada criança. É preciso ficar atento a como está sendo vivido o cotidiano com a família e como a criança verbaliza a respeito da escola e dos amiguinhos que a aguardam. Por exemplo: se o dia a dia com a família estiver satisfazendo as necessidades afetivas da criança, a separação dos pais poderá ser vivida como um momento de muita angústia e, assim, a adaptação escolar sofrerá as consequências.

Por outro lado, a escola for percebida como um lugar seguro e divertido, a carga emocional pode ser menor. Se a família estiver em guerra, a criança deve estar torcendo para que esse retorno seja breve. Assim, é preciso devagar anunciando a chegada das aulas, relembrando momentos gostosos que foram vividos na escola e ir retornando a rotina relacionada ao tempo que gasta brincando, assistindo programas ou mesmo na internet.

Prevenir comportamentos relacionados ao fim das férias e o início das aulas, como alterações no apetite, e retorno às fases anteriores do desenvolvimento (voltar a urinar ou evacuar na roupa, adoecer, isolar-se dos demais e criar dependências de um brinquedo, da chupeta ou de um paninho), pode ser interessante. É preciso saber que forma utilizada pela criança para reagir ao fim das férias e o início das aulas revelam as características afetivo-emocionais. E isso pode acontecer não apenas com crianças que estão indo para a escola pela primeira vez, mas inclusive com as consideradas adaptadas ao sistema escolar.

Elas também podem evidenciar surtos inesperados de aflição e desamparo, que ocorrem muito tempo depois do momento da adaptação escolar. É preciso considerar também a forma como os pais se comportam com a separação dos filhos. Às vezes são eles que dependem da dependência dos filhos. A codependência é um fenômeno que precisa ser identificado.

Finalmente, a escola também precisa estar preparada para enfrentar o retorno às aulas. O apoio pedagógico e psicológico escolar devem cumprir o papel de acompanhar os pais que estão com os filhos, tendo acesso à instituição. O retorno às aulas é um período rico de encontros e exige dos profissionais constante atenção a fim de encorajar e facilitar essa nova e importante experiência vivida pelas crianças e familiares, respeitando as particularidades de cada sistema familiar. 

* Dra. Virginia Elizabeth Suassuna Martins Costa é mãe de 3, avó de 3. Casada com o Chef Tony por 36 anos. Atualmente viúva. Psicóloga formada pela USP, doutora pela UnB, professora da PUC-GO, Gestalt-terapeuta com formação no Brasil e exterior. Proprietária da Gestalt Clínica, ITGT e do Instituto Suassuna. Autora de livros, capítulos de livros, artigos e pesquisadora do CNPq.

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