Educar Sem Complicar

Do que depende a adaptação escolar do seu filho?

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Adaptar significa ajustar, se tornar capaz, articular, encaixar... Dessa forma, a adaptação é a característica de se ajustar ou se adequar a determinadas circunstâncias. Portanto, a adaptação da criança na educação infantil é um período que exige um olhar bastante cuidadoso. As crianças são submetidas a ambientes diversos, a pessoas desconhecidas, novas situações cotidianas e, principalmente, a separação temporária dos pais. Tais mudanças são significativas na medida em que afetam o comportamento social e emocional dessas pequenas.

Esse processo adaptativo envolve algumas tarefas comportamentais que devem ser cumpridas. As mais relevantes incluem um bom desempenho acadêmico, adequação a normas e regras vigentes e a capacidade de se dar bem com os companheiros. Habilidades cognitivas, comportamentais e sociais, portanto, são interdependentes e acabam por constituir domínios fundamentais para a permanência saudável da criança na escola.   

Assim, a adaptação não é meramente passiva, já que implica na capacidade de poder atuar, modificar e produzir alterações no meio. Desse modo, reconhece-se o caráter ativo da criança, uma vez que ela tem a capacidade de atuar nesse processo. É uma etapa importante na construção da identidade por meio do qual a criança inicia um processo exploratório e interacional com pessoas e meios distintos do que está acostumada no grupo familiar. Com isso, há a possibilidade de ampliar tanto os conhecimentos quanto a maturidade emocional.

Um bom desempenho acadêmico tem sido positivamente associado a habilidades sociais, como: cooperação com pares, asserção positiva, responsabilidade, cooperação, autodefesa e autocontrole. Por outro lado, ele tem sido negativamente associado a indicadores de problemas de comportamento. Em contrapartida, problemas de comportamento precoces, seja de externalização (agressão, impulsividade, quebra de regras) ou internalização (ansiedade, humor deprimido, retraimento, queixas somáticas), têm efeitos negativos sobre o progresso acadêmico e o curso de desenvolvimento da competência social com os pares.

É importante considerar, além das tarefas de desenvolvimento típicas de cada fase escolar, as reações às demandas relativas à transição escolar, que podem gerar sintomas de estresse. Esses sintomas correspondem a um conjunto de reações do organismo quando exposto a qualquer estímulo que o irrite, amedronte ou faça feliz, podendo ser de ordem psicológica, como ansiedade, terror noturno, pesadelos, ou física, como dores abdominais, diarreia, dor de cabeça, náusea etc. Assim, é preciso ficar atento aos sintomas de estresse no período de adaptação escolar que podem ser um indicador do sofrimento psíquico da criança diante de situações incontroláveis na vida escolar.

Esse sofrimento pode ser fruto também da separação entre a criança e os pais e cabe ao educador facilitar esse processo, minimizando os efeitos. Para isso, é preciso que o profissional desenvolva atividades diferenciadas que proporcionem segurança e tranquilidade nas crianças. É de suma importância que os pais façam uma visita previa à escola para que as crianças se sintam familiarizadas com o novo ambiente e com novas pessoas com as quais irão conviver. 

A adaptação bem-sucedida é fundamental para o desenvolvimento da habilidade da socialização da criança no ambiente escolar. Não se pode esquecer que cada criança passa pelo processo de adaptação de um modo diferente e em um tempo diferente. Nem todas se adaptam facilmente a novas situações. A idade e as experiências da criança de segurança em contextos anteriores são fundamentais. É preciso que os educadores sejam habilidosos nessa nova fase dos alunos a fim de evitar fases longas e sofridas de choro, que podem refletir em um comportamento psicológico comprometedor no futuro. 

* Dra. Virginia Elizabeth Suassuna Martins Costa é mãe de 3, avó de 3. Casada com o Chef Tony por 36 anos. Atualmente viúva. Psicóloga formada pela USP, doutora pela UnB, professora da PUC-GO, Gestalt-terapeuta com formação no Brasil e exterior. Proprietária da Gestalt Clínica, ITGT e do Instituto Suassuna. Autora de livros, capítulos de livros, artigos e pesquisadora do CNPq.

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