Educar Sem Complicar

Ensine seu filho a lidar com questões éticas: quero? Devo? Posso?

Shutterstock


Você já pensou que pode estar na hora de desembrulhar as questões éticas? Às vezes elas estão deixadas em algum lugar de sua casa. É hora de desapegar dos velhos hábitos, como sempre fazer o que quer e não o que deve. O que é possível de ser feito realmente é realizado? Como esses valores são transmitidos às crianças? Será que não está na hora de oferecemos a elas presentes que irão durar a vida toda, como as capacidades fundamentais para o desenvolvimento de habilidades diante dessas questões éticas, que irão impactar na vida adulta.

Se o relógio da vida chegasse pertinho de você agora, você teria se eternizado pela transmissão dos valores éticos e das habilidades de lidar com as questões existenciais? Quero? Devo? Posso? Como saber? Seu filho consegue superar o comportamento infantil, egoísta, interesseiro, individualista e é capaz de valorizar as relações interpessoais controlando o querer, poder e o dever?  Ele vive em um ambiente sócio- moral, no qual são ensinados valores fundamentais como moral, responsabilidade, disciplina, ética, respeito, solidariedade, liberdade, justiça e outros mais.

O desenvolvimento social e moral da criança acontece à medida que ela estabelece o primeiro contato social com os pais e outras pessoas do lar. Os princípios educativos favorecem gradativamente a passagem do filho da etapa da autonomia para a independência, controlando o querer, poder e dever. Disciplinar as crianças desde cedo significa desenvolver o caráter e conduzi-las a posturas corretas, a boas ações virtuosas. Isso é feito para que possam ter bons hábitos e saibam viver em sociedade, agindo conscientemente. A educação é um excelente caminho para promover as transformações que se fazem necessárias na formação ética e moral no indivíduo.

A construção de valores vem desde a infância e são essenciais na formação do caráter e da postura da criança diante da vida. Para isso, é necessário que ela assimile esses valores para o desenvolvimento, pois todos os indivíduos precisam e devem tomar conhecimento dos valores humanos. Esses princípios são humanizantes e ajudarão as crianças no crescimento moral. É na infância que se encontra as raízes da suscetibilidade da criança em internalizar regras de conduta, entre o querer, poder e dever, que podem ter efeitos perpetuados por toda vida. 

É nessa época que a criança também compreende que a educação não é aquilo que os pais lhe oferecem, mas aquilo que eles demonstram ser. Nesse sentido, o modo como os pais encaram a vida tem influência decisiva na formação dos filhos. A educação baseada em padrões autoritários, na rigidez da intolerância, no desprezo pela inclinação transcendental, na ausência de compromisso, na ética dicotômica do indivíduo versus a sociedade irá gerar, forçosamente, cidadãos deslocados do eixo social.

A crise da humanidade é uma crise moral devido à falta de valores básicos de orientação de comportamentos. A ética é o remédio. É ela que faz a fronteira entre o que a natureza manda e o que se decide. A ética é aquilo que orienta a capacidade de julgar, decidir, avaliar. Portanto, é preciso desenvolver na criança o entendimento de que nem tudo o que se deseja é plausível de ser feito. Muitas vezes é preciso fazer muitas coisas que devem acontecer, apesar de não querer. Para isso, os pais e educadores têm a obrigação de esclarecer os filhos, desenvolvendo-lhes o senso crítico, argumentando, respondendo questionamentos, construindo fronteiras entre as questões éticas. Isso tudo deve sempre ser baseado no bem comum e na busca por uma sociedade melhor, em que todos tenham direitos assegurados também na prática.

Uma prática recomendável para desenvolver o espírito crítico é utilizar os acontecimentos que entram diariamente nas casas, pelo rádio, pela imprensa, pela televisão e internet. O perigo é que, com tantos escândalos, pais e crianças possam se acostumar à indiferença e virem a fazer tudo o que querem, independente se podem ou devem. É preciso resgatar a capacidade da indignação diante das questões éticas: quero? Devo? Posso? Que tal assumirem esse compromisso como Papai Noel?

*Dra. Virginia Elizabeth Suassuna Martins Costa é mãe de 3, avó de 3. Casada com o Chef Tony por 36 anos. Atualmente viuva. Psicóloga formada pela USP, doutora pela UnB, professora da PUC-GO, Gestalt-terapeuta com formação no Brasil e exterior! Proprietária da Gestalt Clínica, ITGT e do Instituto Suassuna. Autora de livors, capítulos de livros, artigos e Pesquisadora do CNPq.

Os comentários publicados aqui não representam a opinião da plataforma e são de total responsabilidade de seus autores.

Comentários
Os comentários publicados aqui não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade de seus autores.
POR DATA