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Férias dos filhos: ônus ou bônus?

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Como tudo na vida tem dois lados, com as férias não seria diferente. Para ser um bônus, as férias precisam ser planejadas com antecedência, para que o tempo com os filhos seja realmente prazeroso. Os pais precisam de disponibilidade para se dedicar aos filhos. O bônus é fruto dos ajustamentos criativos que a família desenvolve para se adaptar a quebra das rotinas familiares.

No entanto, as férias serão ônus para os pais que, acostumados a terceirizarem os cuidados dos filhos (babás, professores, avós), não sentem a verdadeira importância da própria presença na vida das crianças nem nesse período. Esses são pais que não conseguem inverter a prioridade, abrindo mão do conforto da individualidade para compartilhar com a família. Caracterizam-se também por pais que tem o prazer de dizer que são pais, mas não assumem o ônus de participar do pacote da paternidade. As férias se tornam um ônus para os pais que “estavam de férias” das obrigações de colocar limites, atitude crucial na educação cotidiana.

Sentimentos variados também fazem parte do cardápio emocional nesse período. Ansiedade, cansaço, medos e preocupações são presentes principalmente quando as férias das crianças não coincidem com a dos pais. Nesse contexto, a necessidade do planejamento novamente se faz presente. Com quem os filhos ficarão no período que iam para as aulas? Como esquematizar programas para entretê-los? Como evitar os eletrônicos nas horas “vagas”? O que fazer com a energia de sobra? Como criar novas oportunidades para que a criança realmente se divirta? As respostas a essas perguntas definirão se as férias serão vividas como bônus ou ônus.

O ônus e bônus dependem também da qualidade da paciência dos pais e de como o casal se “suporta” sem a rotina cotidiana. O confronto com o vazio profissional pode ainda vincular e sobrecarregar a família. Muitos adultos se deprimem, ficam tristes e isolam-se. Outros fazem uma cara de insatisfação e torcem para as férias chegarem ao fim. Passar mais tempo que o habitual com a família, com a qual por vezes têm pouca intimidade, pode ser estressante.

Outro aspecto que amplia o ônus psicológico e econômico das férias é o valor investido nos gastos extras, que às vezes é incompatível com a renda da família. Para evitá-los, sugere-se observar os interesses comuns que surgem no grupo familiar e que podem provocar novos estímulos para ampliar o prazer de permanecer juntos. Brincar de forma criativa pode garantir estímulos positivos ao desenvolvimento das crianças e aos pais. Quando a criança estiver brincando, os pais podem aproveitar para perceber como ela constrói o próprio mundo, como gostaria que fosse a própria realidade. 

Eles também podem observar as limitações e dificuldades da criança ao brincar com o outro, os problemas e as preocupações da criança, que no cotidiano, fora do período de férias, não podem observados. É preciso, portanto, aproveitar as férias para aproximar e renovar os laços familiares.

Outra forma de fazer das férias um grande bônus é o garantir tempo de qualidade entre a família. Uma pesquisa britânica levantou a realidade em 25 países ao redor do mundo e revelou que homens e mulheres dispõem apenas de 36 minutos do dia para dedicar tempo de qualidade à família, que corresponde a 15 dias em um ano. Isso potencializado em datas comemorativas, como Natal, aniversários e outras festividades. A pesquisa ainda revelou um agravante: mesmo quando estão em casa, os pais não estão totalmente presentes.

Por isso, as férias são um tempo para agregar qualidade e quantidade de presença. Que essa dialética de ônus e bônus possa ser contabilizada de forma saudável, uma vez que depende da forma como a família se organiza. Tudo está na sua mão. Bom início de férias.

*Dra. Virginia Elizabeth Suassuna Martins Costa é mãe de 3, avó de 3. Casada com o Chef Tony por 36 anos. Atualmente viuva. Psicóloga formada pela USP, doutora pela UnB, professora da PUC-GO, Gestalt-terapeuta com formação no Brasil e exterior! Proprietária da Gestalt Clínica, ITGT e do Instituto Suassuna. Autora de livors, capítulos de livros, artigos e Pesquisadora do CNPq.

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