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Meu filho está viciado em games?

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O vício em jogos de videogame, recentemente, passou a ser considerado um distúrbio mental pela Organização Mundial da Saúde. O estudo para a inclusão desse transtorno começou há dez anos e teve a participação de profissionais da saúde mental. Sob o nome de "distúrbio de games", o problema foi incluído na 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que descreve o “padrão de comportamento frequente ou persistente de vício em games tão grave que leva a preferir os jogos a qualquer outro interesse na vida”.

A inclusão no CID é um passo para que o assunto seja levado mais a sério, resultando na busca de tratamentos adequados. Alguns países já haviam identificado essa condição como um problema importante para a saúde pública. O Reino Unido, por exemplo, já têm clínicas autorizadas a tratar o distúrbio. Na Coreia do Sul, o governo criou uma lei que proíbe o uso de games por pessoas menores de 18 anos entre meia-noite e seis da manhã. No Japão, os jogadores são advertidos caso passem mais do que certa quantidade de horas por mês jogando videogame. Na China, a gigante de tecnologia Tencent determina um limite de quantidade de horas que uma criança pode jogar.

Os comportamentos típicos dos viciados em games devem ser observados por um período de mais de 12 meses para que um diagnóstico seja feito. Os sintomas dos distúrbios incluem:

1- Não ter controle de frequência, intensidade e duração com que joga videogame;
2- Prioriza jogar videogame a outras atividades;
3- Continua ou aumenta ainda mais a frequência com que joga videogame mesmo após ter tido consequências negativas desse hábito.

O comportamento do jogador patológico de jogos digitais provoca uma deterioração negativa nas áreas de atuação pessoal, familiar, social, educativa, ocupacional e outras áreas importantes para ser considerada doença. As pessoas acreditam que as crianças estão viciadas em tecnologia a ponto de abdicarem de outras atividades. Mas entre os que se tornam dependentes, vemos prejuízos importantes, como reprovação na escola, afastamento dos amigos e brigas com a família. O envolvimento excessivo nos jogos pode funcionar como um mecanismo de escape para lidar com outras desordens psiquiátricas, numa tentativa de aliviar sentimentos inquietos.

Uma pesquisa realizada com mais de 20 mil entrevistados considerou sete critérios para identificar o vício em videogame: pensar em jogar videogame durante o dia inteiro; o aumento no tempo gasto em games; jogar videogames para se esquecer da vida real; outras pessoas já tentaram, sem sucesso, reduzir o uso do jogo; sensação negativa quando não se pode jogar; brigas com familiares e amigos sobre o tempo gasto em jogos; e negligenciar outras atividades importantes, como os estudos e o trabalho, por causa dos games.

Se você se identificar ou reconhecer pelo menos cinco desses sete critérios em um filho ou amigo, é possível que haja algum tipo de dependência digital.  Outros pontos que devem ser observados em relação ao vício em tecnologia são:

Abandono: fica triste se não recebe ligações ou mensagens ao longo do dia. 

Solidão: usa a internet para evitar a sensação de estar só. 

Comunicação: ignora pessoas ao lado para se comunicar pela internet. 

Offline: sente-se deprimido, instável ou nervoso quando não está conectado e isso desaparece quando volta a se conectar. 

Direção perigosa: envia ou consulta mensagens no celular enquanto dirige. 

Insegurança: autoestima baixa quando os amigos recebem mais “curtidas”. 

Mundo virtual: deixa de fazer atividades na vida real para ficar na internet. 

Viagens: já deixou ou deixaria de viajar para não ficar desconectado. 

Comparação: fica triste quando vê nas redes sociais que amigos têm vidas “mais interessantes”.

Relacionamento: passa por conflitos de relacionamento por ficar muito tempo conectado.

*Dra. Virginia Elizabeth Suassuna Martins Costa é mãe de 3, avó de 3. Casada com o Chef Tony por 36 anos. Atualmente viuva. Psicóloga formada pela USP, doutora pela UnB, professora da PUC-GO, Gestalt-terapeuta com formação no Brasil e exterior! Proprietária da Gestalt Clínica, ITGT e do Instituto Suassuna. Autora de livros, capítulos de livros, artigos e Pesquisadora do CNPq.

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