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Qual a linguagem do amor que seu filho compreende?

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Você já ouviu falar que o coração tem razões que a própria razão desconhece? Essa razão muitas vezes se torna desconhecida e interfere nas relações familiares. Quando falamos das linguagens do amor, podemos listar cinco tipos: palavras de afirmação; tempo de qualidade; presentes; atos de serviço e toque físico. Hoje vou falar apenas de dois tipos. Os outros três serão abordados no próximo texto. 

A primeira linguagem do amor está relacionada as palavras de afirmação e envolve a utilização de palavras que edificam o outro. Como exemplo disso podemos citar elogios e palavras de admiração, que são poderosos comunicadores do amor. Outras formas envolvem o encorajamento, principalmente diante de uma criança que está explorando possibilidades, sejam elas de ordem cognitiva, social, emocional etc. O encorajamento exige empatia, ou seja, a percepção do outro com os olhos de qualidade. Você a tem? Fica difícil ter esse olhar se o padrão de comunicação envolve palavras de crítica e de recriminação. 

Como reflexão, vale a pena pensar se: você elogia? Como? Você critica? Como? Palavras de afirmação também envolvem palavras gentis, que é a melhor forma de comunicar verbalmente o amor. Associado a isso, é importante ter consciência do tom que se utiliza para expressar os sentimentos. Afinal, toda frase pode ter dois sentidos dependendo de como ela é falada. Algumas vezes, as palavras querem dizer uma coisa, mas o tom de voz afirma outra completamente diferente. Assim, é muito comum o envio de mensagens dúbias. 

Aquelas pessoas com as quais você convive, geralmente, interpretam as mensagens que são enviadas de acordo com o tom da sua voz e não pelas palavras usadas. Assim, pode-se compartilhar mágoa, dor e até raiva de maneira doce e essa mensagem ser uma manifestação de amor. Afinal, o amor faz solicitações e não imposições. 

Se os desejos são expressos como ordens, elimina-se a possibilidade de intimidade e afugenta-se as pessoas. Se, no entanto, necessidades e desejos são expressos como pedidos, indica-se um caminho, mas não se força ninguém ir até ele. O pedido implica o elemento escolha. A ordem implica a tirania, a diminuição do outro. O pedido cria a oportunidade de expressar amor ao passo que uma ordem sufoca essa possibilidade.

Já a segunda linguagem do amor refere-se ao tempo de qualidade, que é a dedicação a alguém sem que ocorra a divisão com outras coisas (televisão, computador, videogame etc.). Assim, o aspecto central do tempo de qualidade é estar próximo, não apenas fisicamente, mas uma proximidade por meio de uma escuta atenta diante do que o outro tem a compartilhar. Muitas vezes, por exemplo, pais apenas compartilham o espaço geográfico com seus filhos e não o psicológico.

Dedicar tempo de qualidade não significa olhar nos olhos um do outro o tempo todo, mas fazer coisas juntos e conceder atenção total a quem está perto, de forma que a atividade com a qual se está envolvido fica em um plano secundário. Investir o tempo juntos em família, em uma atividade em comum, significa que são importantes entre si e que estar próximo é uma das formas de expressar o amor.

A linguagem afetiva, que envolve as palavras de afirmação, pode ser utilizada no tempo de qualidade por meio de uma conversa de qualidade. Assim, acolher experiências, pensamentos, emoções e desejos, de forma amigável e sem interrupções pode manifestar uma amorosidade incontestável. Mas é importante ressaltar que uma conversa de qualidade é bem diferente da primeira linguagem do amor, pois palavras de afirmação concentram-se no que afirmamos, ao passo que uma conversa de qualidade focaliza o que ouvimos.

Saber ouvir é uma arte. Geralmente somos mais eficientes em pensar e falar do que em ouvir. Aprender a ouvir pode ser tão difícil quanto aprender um idioma. O psicanalista e escritor Rubem Alves disse que “é na escuta que o amor começa e é na não escuta que ele termina”. Assim, é fundamental que se escute os sentimentos. Pergunte a você mesmo o tipo de emoção que seu filho sente no momento. Quando achar que descobriu, confirme-o. A linguagem corporal também é muito importante. Ela fornece pistas dos sentimentos das crianças. Algumas vezes, a linguagem verbal diz uma coisa enquanto a corporal afirma outra. 

Além da conversa de qualidade é importante estar atenta às atividades de qualidade, que envolvem o interesse dos pais e dos filhos e a disposição em executá-las. Sem dúvida, um banco de memórias será criado e o acesso a elas no futuro garantirão o sentimento de ter sido amado, algo tão raro de ser expressado pelas pessoas no cotidiano. 

Boas reflexões.

Dra. Virginia Elizabeth Suassuna Martins Costa é mãe de 3, avó de 3. Casada com o Chef Tony por 36 anos. Atualmente viúva. Psicóloga formada pela USP, doutora pela UnB, professora da PUC-GO, Gestalt-terapeuta com formação no Brasil e exterior. Proprietária da Gestalt Clínica, ITGT e do Instituto Suassuna. Autora de livros, capítulos de livros, artigos e pesquisadora do CNPq.

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