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Seu filho está sempre lhe desafiando? Qual sua responsabilidade?

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O transtorno desafiador de oposição (TDO) é disruptivo, caracterizado por um padrão global de desobediência, desafio e comportamento hostil. As crianças que têm esse transtorno discutem excessivamente com adultos, não aceitam a responsabilidade por má conduta, incomodam deliberadamente os demais, possuem dificuldade em aceitar regras e perdem facilmente o controle se as coisas não seguem da forma que eles desejam. Em outras palavras, o TDO consiste em um transtorno psicológico caracterizado, principalmente, por comportamentos apresentados pela criança no sentido de agir contrariamente aquilo que se pede ou se espera dela. Ele caracteriza-se por um padrão persistente de comportamentos negativistas, hostis e desafiadores na ausência de sérias violações de normas sociais ou direitos alheios.

Na maioria das vezes, esse tipo de transtorno causa mais sofrimento nas pessoas que a cercam do que na criança, pois ela acha que está certa nas atitudes agressivas e não pode evita-las, já que não são atitudes intencionais. O comportamento pode se manifestar não apenas sob a forma de atitude ativa no sentido de agredir, mas também por meio de comportamentos como o silêncio, a omissão, a apatia, o emudecimento, o não fazer nada e assim por diante.

Existem várias evidências de que o TDO é moldado e mantido pela natureza das trocas mútuas entre a criança e os adultos, significativos do convívio, começando com os pais e estendendo-se a outras figuras como autoridades. As respostas negativistas também estão relacionadas com o temperamento infantil, o que pode estar ligado a uma base genética ou constitucional. As crianças que apresentam temperamento difícil não se acalmam facilmente, não se adaptam bem as mudanças ambientais e são resmungonas. Geralmente existe uma tendência nos pais a se comportarem e responderem os filhos de forma que aumente a probabilidade de encontrarem desobediência, oposição e desafio.

Portanto, um alerta aos pais em relação aos próprios comportamentos: cuidado com as habilidades deficientes, como não prestar atenção a sinais significativos da criança, não colocar limites ao comportamento impróprio e não vigiar de forma constante o nível de atividade, que podem funcionar também como acontecimentos antecedentes que provoquem e mantenham o desafio. Cuidado com os reforços inadequados. Geralmente, crianças que atuam de maneira desafiadora, negativa e agressiva com os pais obtêm com os comportamentos consequências favoráveis. Como resultado, esses comportamentos são fortalecidos e ocorrerão com maior probabilidade no futuro.

Do mesmo modo, quando os pais são severos, punitivos ou negativos nas interações com a criança, às vezes são reforçados. Isso porque esse comportamento produz obediência ou elimina uma fonte de irritação. Com efeito, tanto a criança quanto os pais aprendem a realizar comportamentos negativos e coercitivos quando enfrentam acontecimentos desagradáveis ou aversivos. Assim, é preciso rever as causas de diversos transtornos psicológicos e analisar a interação de todas as dimensões relevantes: as contribuições genéticas, o papel do sistema nervoso, os processos cognitivos e comportamentais, as influências emocionais e interpessoais e os fatores de desenvolvimento, que podem estar presentes no comportamento do filho.

Assim, chegamos a uma abordagem multidimensional integrada para as causas dos transtornos psicológicos que envolve o excesso de desafios, na qual não se pode negar a importância das atitudes familiares.

* Dra. Virginia Elizabeth Suassuna Martins Costa é mãe de 3, avó de 3. Casada com o Chef Tony por 36 anos. Atualmente viúva. Psicóloga formada pela USP, doutora pela UnB, professora da PUC-GO, Gestalt-terapeuta com formação no Brasil e exterior. Proprietária da Gestalt Clínica, ITGT e do Instituto Suassuna. Autora de livros, capítulos de livros, artigos e pesquisadora do CNPq.

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