Educar Sem Complicar

Você sabe responder aos questionamentos de seu filho?

Antes de responder objetivamente, é preciso escutar e observar o outro e se questionar: o que ele realmente quer ouvir? O que ele precisa e está pronto para saber a respeito de seus questionamentos? Em algumas situações, leva-se em consideração o que ele deseja, em outras, o que ele precisa ouvir.

Algumas vezes, as respostas objetivas contêm informações cruciais para a vida de quem pergunta e, a partir delas, a pessoa pode tomar decisões e fazer escolhas que irão mudar o curso da vida.

Geralmente, não apenas as crianças, mas o ser humano de modo geral, oferece sinais verbais e não verbais do quanto e até onde querem saber. Nesses momentos a intuição e a percepção podem ajudar a decidir.

Há coisas, no entanto, que as pessoas precisam saber, ainda que não queiram. São situações em que o conhecimento dos fatos é necessário para que possam agir na melhor direção. De qualquer maneira, responder primeiramente a parte subjetiva da pergunta prepara a pessoa para escutar, mais tarde, a resposta objetiva à sua indagação.

Alguns aspectos são importantes para saber como, quando e por que não responder às perguntas: 

- Comunicar muito cedo que se percebe conteúdos e sentimentos em níveis mais profundos pode ameaçar aquele que pergunta e levá-lo a fechar-se ou afastar-se;

- Colocar-se como autoridade diante da criança nem sempre é uma boa postura se você quiser ajudar ou promover um verdadeiro encontro. 

- Dar direções ao outro quando ele faz uma pergunta é uma ‘tentação’ a que se deve resistir, pois a cultura ensina a oferecer respostas rápidas e prontas. Por isso é fundamental identificar o núcleo, o cerne, o centro ou os elementos relevantes do questionamento da criança; 

- Organizar e sintetizar esses elementos usando as palavras da criança ou suas próprias palavras, mas com significado semelhante às dela para ver se compreendeu o que está em questão;

- Comunicar à criança a síntese em uma breve frase no nível em que ela está se expressando para, mais uma vez, se certificar das possibilidades de suas respostas.

Dependendo da situação, faça perguntas para saber o que está acontecendo, o que a leva a fazer tais questionamentos. Explore as dúvidas que podem envolver pessoas, datas, locais, fatos para ser assertiva nas respostas.

Outro aspecto importante é o tamanho da resposta. É preciso formular a menor resposta possível para que o maior espaço de dúvida seja do outro. É interessante verificar se suas respostas focalizam ou desfocalizam a experiência do outro. 

É preciso, ainda, lembrar que as respostas causam efeitos sobre todos os envolvidos nos diálogos. Através delas, a percepção, a escuta, a compreensão são testadas.

Existem alguns formatos que facilitam o responder: “você está me dizendo que”, “em outras palavras”, “se eu entendi”, “se eu escutei (ou captei) o que você falou”. 

Vale ressaltar que, muitas vezes, quem pergunta pode desejar apenas compreensão, e não informação. Discriminar esses detalhes são fundamentais para o diálogo sadio nas relações familiares.

 

*Dra. Virginia Elizabeth Suassuna Martins Costa é mãe de 3, avó de 3. Casada com o Chef Tony por 36 anos. Atualmente viúva. Psicóloga formada pela USP, doutora pela UnB, professora da PUC-GO, Gestalt-terapeuta com formação no Brasil e exterior. Proprietária da Gestalt Clínica, ITGT e do Instituto Suassuna. Autora de livros, capítulos de livros, artigos e pesquisadora do CNPq.

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