Mulheres em Círculo

Mulheres, ouçam a nossa voz

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Maria da Penha, Ana, Anita Garibaldi, Adnólia, Betty Friedan, Dandara, Dulce, Elza Soares, Eliane, Eva, Frida Kahlo, Luiza, Maria Lúcia, Maria Quitéria, Nísia Floresta, Olga Benário, Simone de Beauvoir, Terezinha e tantas outras mulheres, como minha avó Basília, minha mãe Maria e todas as minhas tias, primas, sobrinhas e desconhecidas. Mulheres de todas as cores, de todos os cantos, mulheres... ouçam a nossa voz!

Maria da Penha sofreu duas tentativas de assassinato por parte do marido e viveu uma luta de 20 anos para que o agressor fosse punido. Hoje, temos uma lei de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica que leva o nome dela. Anita Garibaldi lutou na Revolução Farroupilha (aqui no Brasil) e contra a invasão do exército austro-húngaro (na Itália). Teve cinco filhos, mas nunca deixou de lado os fronts de batalha, mesmo enquanto estava grávida.

Betty Friedan, autora do livro “A Mística Feminina”, psicóloga, entre outras coisas, brigava pelo nosso direito de ter uma profissão e pela divisão de tarefas domésticas. Antes dela, nada disso era discutido. Dandara... alguém sabe quem era essa mulher? Lutou com Zumbi, no Quilombo dos Palmares. Suicidou-se em 1694, junto com vários outros quilombolas, durante a tomada de Palmares.

Olga Benário Prestes, revolucionária, comunista, foi submetida a trabalhos forçados e péssimas condições de vida, comuns nos campos de concentração nazistas. Ela foi morta na câmara de gás em 23 de abril de 1942. Simone de Beauvoir, em seu livro “O Segundo Sexo”, descreve sobre como as tradições políticas e sociais justificam o patriarcado e a opressão masculina. Simone explica como foi desenvolvida a complexa teia de inferiorização da mulher, os programas para a liberação feminina e questiona a instituição casamento.

São tantas as grandes mulheres presentes e atuantes na história do Brasil e do mundo. São tantas as lutas, as dores que ecoam em nossos corpos... E essa rápida e grotesca pesquisa pelos sites da internet numa tentativa exploratória de mostrar a luta que é de todas nós, irmãs, amigas, mulheres conhecidas e mulheres desconhecidas... mulheres, abusadas, violentadas, agredidas físicas e psicologicamente, de todas as maneiras, mas, acima de tudo, mulheres que lutam muitas vezes silenciosamente porque tantas vezes foram oprimidas, outras tantas vezes foram alienadas de direitos. Eu honro todas elas. Sim, eu digo sim para todas vocês.

* Maria Lúcia Oliveira é psicóloga clínica, facilitadora de circulo psicoterapêutico de mulheres, com especialização em terapia familiar e de casal. Também possui especialização em psicopatologia, formação em educação sistêmica e mestrado em ciências da religião.

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