Mulheres em Círculo

Olhar o passado para o futuro não retroceder

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Vivemos um momento em que ter claro o que queremos e reivindicar nossos direitos passaram a ser vistos como vitimização ou “mimimi”. Essa é uma forma de fazer com que permaneçamos caladas ou calados. Aqui, me refiro às questões da mulher. Em tempos de eleições, temos que estar vigilantes, atentas e conectadas com as políticas públicas que garantem nossos direitos, ainda que muitos deles assegurados juridicamente e não de fato.
 
Temos, atrás de cada uma de nós, a história de milhares de tantas outras mulheres. Daquelas que se calaram, que se perderam na solidão do mundo privado e do mundo público, que, dominado por homens, as mantiveram como parte da sua propriedade privada. Também pela força da ideologia de opressão, que alcança, inclusive, mulheres que investidas do poder silenciam outras mulheres.

Nesse momento, em que nosso país está mergulhado numa profunda crise política, social e econômica, os valores que garantiam confiança em instituições – como família, Estado, escola, igreja e tantas outras – parecem se fragmentar. É nesse momento que falsos salvadores surgem com a promessa de ordem, a partir de valores autoritários e, nesse bloco, com certeza as conquistas das mulheres estão em risco.

Não podemos retroceder e perder direitos já garantidos por lei. Esses direitos não foram dados, eles foram conquistados com a força, com o destemor e com o amor daquelas mulheres que vieram antes de nós e de tantas outras contemporâneas, que foram torturadas e humilhadas, tanto por seus maridos quanto pelo Estado.
 
É por isso que chegamos até aqui. É nesse contexto que precisamos ter olhos de águia. Precisamos da sabedoria que habita cada uma de nós para honrar toda a nossa história e prosseguirmos olhando para frente, de cabeça erguida, com orgulho e com a certeza de que as nossas escolhas nessas eleições serão a de quem sabe qual é o lugar de cada uma de nós. E que não teremos vergonha ao olhar para trás, pois também fazemos história. Olhemos não só para os nossos interesses individuais, pensemos nos interesses e conquistas coletivas. 

* Maria Lúcia Oliveira é psicóloga clínica, facilitadora de circulo psicoterapêutico de mulheres, com especialização em terapia familiar e de casal. Também possui especialização em psicopatologia, formação em educação sistêmica e mestrado em ciências da religião.

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