Mulheres em Círculo

Rompa a síndrome do ninho vazio e reinvente-se

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Em meu último texto citei uma fase de transição que nós, mulheres e mães, atravessamos: a saída dos filhos de casa. A psicologia tem chamado essa fase de síndrome do ninho vazio. Mas o que é essa síndrome? Existe um jeito diferente de atravessar essa ponte?

A síndrome do ninho vazio é denominada como o estágio de “lançamento dos filhos”, de acordo com Betty Carter e Monica McGoldrick. Esse estágio tem início com a saída do primeiro filho da casa dos pais e vai até a saída do último filho. Esse movimento de saída dos filhos estaria associado a um período de depressão e solidão, de forma mais acentuada entre as mulheres. 

É importante nos perguntarmos o motivo de as mulheres serem apontadas como vulneráveis à depressão nesse estágio. A nós, mulheres, fica atribuído o papel de cuidadoras, principalmente cuidadoras dos filhos. E quando eles saem de casa nos são atribuídos outros papéis, como cuidadoras dos pais que estão envelhecidos e muitas vezes doentes ou cuidadoras dos netos para que os filhos possam trabalhar fora de casa. Esse ponto, especificamente, é imposto pela sociedade como uma função que vai preencher o vazio deixado pela ausência dos filhos que saíram de casa, algo que pretendo aprofundar em um outro momento.

Mas voltando ao assunto de hoje, como tem sido para você a trajetória de mãe, esposa, mulher, filha e trabalhadora? Como você tem se visto? Qual o lugar que você tem ocupado nesses espaços? Dentro da família, no grupo de amigos... você tem amigos? Você tem escutado as próprias necessidades? Se sim, talvez você passe por essa ponte de transição com mais segurança e com confiança no futuro, fazendo pequenos ajustes.

Agora, se você não tem escutado o que precisa, se você não ampliou o leque de realizações até aqui, esse é o momento de voltar a fazer coisas que deixou de fazer para cuidar dos filhos. Essa é uma tarefa que já foi cumprida. Agora é o momento de olhar para frente, não como algo pesado, mas como a possibilidade de construir novos sentidos para a vida, sem culpa. É hora de cuidar de você mesma, é hora de reinventar-se e ser feliz nesse novo desenho familiar. E, ao cuidar de si, poderá cuidar melhor de outras pessoas sem que isso seja um fardo.

Você não é louca por olhar para esse momento da sua vida como a possibilidade de realizar as coisas que estiveram guardadas enquanto se dedicava aos filhos. O ideal seria que fossem conciliados o prazer de ser mãe e o prazer de ser mulher, sentindo-se realizada e plena. Dessa maneira, a tão propalada depressão passaria longe. No entanto, se isso foi ou não dessa forma, é só se lembrar: mesmo com a saída dos filhos de casa nós continuamos mães, só apenas dentro de uma nova configuração.

* Maria Lúcia Oliveira é psicóloga clínica, facilitadora de circulo psicoterapêutico de mulheres, com especialização em terapia familiar e de casal. Também possui especialização em psicopatologia, formação em educação sistêmica e mestrado em ciências da religião.

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