Papo Musical

60 anos da Bossa Nova

 

Foi em 1958, há exatos 60 anos, que o jovem João Gilberto, então com 27 anos, entrou no estúdio da gravadora Odeon, no centro do Rio, para mudar a música brasileira: era a gravação de “Chega de Saudade”, música de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Essa primeira gravação marca o surgimento da Bossa Nova, um movimento da música popular brasileira. Esse movimento é caracterizado por estilos de músicas com forte influência do samba carioca e do jazz norte-americano, e marcado, na maioria, pelo tom coloquial, temas habituais e voz mais baixa, permeada de harmonias de samba e invenções melódicas de jazz. 

Apesar de sexagenária, segundo João Gilberto, “a bossa não envelheceu. Vai ser admirada pelo mundo para sempre. É como Debussy, que morreu há cem anos. São só números”. Com o intuito de buscar algo novo, jovens cariocas reúnem-se em prol da inovação musical. Além dos músicos que giraram em torno de “Chega de Saudade”, outros músicos como Dorival Caymmi, Edu Lobo, Francis Hime, Marcus Valle, Paulo Valle, Carlos Lyra, Nara Leão, Baden Powell, Nelson Motta, Wilson Simonal, dentre tantos outros, aderiram ao novo estilo de música.

Com 60 anos, a Bossa Nova continua viva e encantando plateias pelo mundo. “Canto canções que gravei nos meus primeiros discos para diferentes plateias e com o mesmo frisson. Não dá nem para nomear. São eternas. Eu as reverencio hoje e daqui a 20 anos”, afirmou Leny Andrade.

Ouviremos “Chega de Saudade”, de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes, no primeiro álbum do cantor e compositor brasileiro João Gilberto. O disco foi lançado em LP, em 1959 e foi um grande sucesso no Brasil, lançando a carreira de João Gilberto, tornando conhecido o movimento da Bossa Nova que se iniciava.

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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Reprodução / Wikipédia
João Gilberto
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