Papo Musical

75 anos do Batismo Cultural de Goiânia

Reprodução / Divulgação

O termo Batismo Cultural é utilizado para designar o dia da inauguração oficial de Goiânia, ocorrida em 05 de julho de 1942. Na ocasião, a cidade foi palco de realizações culturais que atraíram várias personalidades políticas, artísticas, eclesiásticas e intelectuais do país, além de convidados ilustres e o público em geral.  Na época, a cidade tinha perto de dez mil habitantes e recebeu um expressivo número de visitantes para a comemoração do Batismo Cultural, que a apresentou ao Brasil entre os dias 1º e 10 de julho.  

O presidente da República era Getúlio Vargas e foi com o seu apoio que, na ocasião, também foram realizados na cidade o 8º Congresso Brasileiro de Educação e a Assembleia Geral dos Conselhos do IBGE. Essa semana estendida permitiu aos participantes desses eventos, e de outros paralelos, discussões febris e profícuas, culminando com o lançamento da revista Oeste, cujo corpo editorial e de colaboradores era constituídos com o melhor da intelectualidade local. 

Aproximadamente seiscentos estrangeiros compareceram para participar das comemorações. Dentre os vários eventos e festividades que marcaram a inauguração oficial de Goiânia, no dia 05 de julho de 1942 a cidade despertou com o “toque de alvorada”, que se constitui em acordar a população no raiar do dia com estrondos fortes, intermitentes e prolongados de espocar de foguetes, o que acabou por impor uma marca nas comemorações da cidade desde então, bem como a queima de fogos de artifícios naquela noite.
 
Também nesse dia, aconteceu à inauguração do Cine Teatro Goiânia (hoje Teatro Goiânia), com a apresentação da peça teatral “Deus lhe pague”, tendo como protagonista a atriz Eva Todor.  Foi também no Teatro que Pedro Ludovico (1891-1979) entregou a chave simbólica da cidade ao primeiro prefeito da capital, Venerando de Freitas Borges (1907-1994).

Uma missa campal foi realizada na manhã do primeiro dia, pelo arcebispo de Goiás, D. Emanuel Gomes de Oliveira, e pelo arcebispo de Cuiabá, D. Aquino Correia, marcada pela religiosidade do povo goiano.

O Batismo Cultural foi, sem dúvida, um dos eventos mais marcantes da história intelectual de Goiânia, desde sua fundação. Ele abriu caminho para a entrada de cidadãos estrangeiros como o Jean Douliez (1903-1987), músico belga que participou ativamente da criação do Conservatório Goiano de Música e aqui se erradicou. O maestro em muito contribuiu para a vida musical e cultural de nossa cidade. 

Assim se expressou Douliez ao se referir ao povo goiano, em 1960: “Encontrei nesta terra de Anhanguera, a matéria prima bruta, mas da mais pura substância [...] peço à providência que me conceda ainda por muito tempo a força física e espiritual para continuar sendo útil no campo da música e da cultura aos meus semelhantes desta terra abençoada”. 

Ouviremos a composição Angelus Domini (1958), do maestro Jean Douliez, com o coro de câmara da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás: Ângela Samara, soprano; Caroline Porto, piano e regência de Wdemberg Silva. A apresentação datada de 2016, no Colégio Santa Clara, em Goiânia, foi realizada através da pesquisa do maestro titular do coro de câmara da EMAC/UFG Professor Ângelo Dias.

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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