Papo Musical

A cantora que deixou um prêmio de um milhão de dólares

Wikipédia / Reprodução


Considerada uma das maiores sopranos dramáticas de todos os tempos, Birgit Nilsson  foi uma das mais bem pagas cantoras líricas da história. A fama da artista se deve, principalmente, aos papeis em óperas do alemão Richard Wagner e dos italianos Giuseppe Verdi e Giacomo Puccini.

Birgit Nilsson cantou por 40 anos em palcos de ópera ao redor do mundo, deixando inúmeras gravações. A voz da mulher foi apelidada de “pregas de aço” e tinha um timbre brilhante, limpo e poderoso. Era mais adequada para os papéis femininos fortes, aqueles que exigem grande potência e resistência física. “Eu nasci com esta voz. Eu me sinto uma boxeadora, uma lutadora”, dizia Birgit. 

A diva dos palcos afirmava não suportar egos que sobressaíssem à música. Segundo ela, “o artista que não consegue se esquecer de si mesmo quando está no palco não é um artista”. Filha de agricultores suecos, o pai de Birgit não queria que ela fosse cantora profissional. Pare ele, bastava que fosse “prendada” e se casasse com um “bom fazendeiro”. Mas Birgit Nilsson estreou em 1946, na ópera real sueca. De lá, foi brilhar nos palcos do mundo.

A soprano encarou o dificílimo papel de Isolda mais de 200 vezes e costumava, ironicamente, dizer que o principal requisito para se cantar a Isolda era um "bom par de sapatos", devido à quantidade de tempo que a personagem se mantém em cena ao longo da ópera. Três anos após a morte da cantora, em 2008, foi instituído o “Prémio Internacional Birgit Nilsson”. Ele é destinado a recompensar um cantor, um maestro ou uma produção dentro do campo da música clássica no valor de um milhão de dólares. 

O tenor Plácido Domingo foi a primeira personalidade a receber o “Prémio Birgit Nilsson”. A escolha de Domingo foi pré-determinada pela própria Nilsson. Birgit deixou o nome de Domingo num envelope selado, com a orientação de ele só ser aberto três anos após a morte dela. A premiação acontece a cada dois ou três anos em Estocolmo na Suécia. 

Oviremos a soprano Birgit Nilsson interpretando "Liebestod”, aria final da ópera “Tristão e Isolda”, de Wagner. 

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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