Papo Musical

A dança de uma jovem princesa na corte espanhola

Wikipédia / Reprodução

O compositor francês Maurice Ravel era um homem de temperamento acanhado que não frequentava eventos sociais, preferindo sempre dedicar-se ao trabalho musical. Em 1901 ele começou a mostrar virtuosismo ao piano, com a composição Jeux d`Eau. E foi nesse período que compôs uma das suas peças mais conhecidas, a Pavane pour une Infante Défunte

A obra foi originalmente composta para piano, em 1899, quando Ravel ainda era aluno de Gabriel Faurè. Tratava-se, segundo apresentou o próprio autor, de um exercício de composição, que tinha como inspiração um quadro do pintor espanhol Diego Rodríguez Velásquez. 

Alguns estudiosos acreditam que essa obra de Ravel foi inspirada na imagem da princesa Margarida, filha do Rei Felipe IV, presente no quadro “As Meninas”. Ravel tinha uma predileção por tradições espanholas e a “Pavana” é uma tradicional dança cortesã europeia, em movimentos lentos, que obteve grande popularidade entre os séculos 16 e 17. 

A obra foi dedicada à princesa Edmond de Polignac, Winnaretta Singer, filha do criador das máquinas de costura e em cujo salão Ravel costumava tocar. Pavane pour une Infante Défunte (Pavana para uma princesa morta), segundo relatos do próprio autor, não evoca nenhum momento histórico, nenhuma morte trágica, mas somente a dança de uma jovem princesa na corte espanhola. O título foi escolhido unicamente pela repetição consecutiva de sons consonantais idênticos ou parecidos na língua francesa. 

Orquestrada em 1910, a obra estreou, com piano, em 5 de abril de 1902, na sala Pleyel, durante um concerto da Société Nationale, com o pianista espanhol Ricardo Viñes.  Como peça orquestral, a estreia aconteceu nos Concertos Hasselmans, no dia 25 de dezembro de 1911, regido por Alfredo Casella.
 
Ravel nasceu em 7 de março de 1875, na cidade de Ciboure, na França, ingressando no Conservatório de Paris apenas aos 14 anos de idade. Durante anos Ravel se preparou para concorrer ao evento que consagrava novos talentos, o Grande Prêmio de Música de Roma. O francês, considerado um dos favoritos à conquista em 1900, sofreu a maior decepção ao ser derrotado, fato que marcou a personalidade do compositor, tornando-o, desde então, uma pessoa arredia. Ravel compôs obras-primas, sendo um dos grandes compositores da história da música. No entanto, o fim da vida não foi fácil, devido a lesões no cérebro. Faleceu em Paris, em 28 de dezembro de 1937. 

Ouviremos Pavane pour une infante défunte de Maurice Ravel, versão orquestrada com a Filarmónica de Requena Palau de La Música de Valencia, sob a regência do Maestro Francisco Melero Belmonte.
 
*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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