Papo Musical

A origem do Carnaval


O Carnaval é uma festa muito cultuada no Brasil. Segundo historiadores, a origem é bem remota, por volta do século cinco antes de Cristo, nos cultos agrários da Grécia, onde eram celebradas a fertilidade do solo e a colheita. Com o passar dos séculos, a festa se espalhou por toda a Grécia, Roma e Europa medieval. 

Foi no século 13 que o afamado Carnaval de Veneza começou a ser celebrado e se espalhou por todo o mundo, adquirindo características até hoje existentes, como bailes, máscaras, fantasias e desfiles. Por volta de 1720, o Carnaval chegou ao Brasil pelas mãos dos portugueses oriundos das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde. Na época, as celebrações do Carnaval eram bem populares e consistiam em jogar água uns nos outros. 

Já os primeiros bailes de Carnaval no Rio de Janeiro, muito elitizados, chegaram em 1840, bem aos moldes dos bailes europeus, com valsas, polcas, schotiches e máscaras ao estilo vienense.  Por volta de 1855, as pessoas de mais posses se organizavam em “sociedades” e desfilavam em carros alegóricos. Já o povo se divertia com a percussão do bloco Zé-Pereira, ao som de baterias cadenciadas e canções reaproveitadas de cantigas de roda, hinos patrióticos, trechos de óperas, fados, quadrinhas musicadas e até marchas fúnebres.

A pioneira marchinha de Carnaval brasileira foi composta durante um ensaio do cordão Rosa de Ouro, em fevereiro de 1899, no Andaraí, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. No local, residia a autora Chiquinha Gonzaga (1747-1935).  A primeira canção carnavalesca brasileira, “Abre Alas”, de Chiquinha Gonzaga, confirmou o Carnaval como festa popular e promoveu o casamento com a música urbana.

No entanto, foi a partir de 1920 que a marchinha destinada expressamente ao Carnaval brasileiro passou a ser produzida com regularidade no Rio de Janeiro, vivendo um período de mais sucesso nos anos 1930, 1940 e 1950. A partir dos anos 1960, entrou em cena o samba-enredo e as escolas de samba ganham força na avenida. Vale ressaltar que a música tocada nos Carnavais têm ritmos e características diferentes nos diversos estados brasileiros, nos propiciando, quando os visitamos, ouvir sambas, batuques, frevos, axés e outras manifestações musicais.

Ouviremos a versão do autor de “Máscara Negra”.  A canção em ritmo de marcha-rancho composta por Zé Kéti (1921-1999) e Pereira Matos (1910-1966) para o Carnaval de 1967, foi gravada pelo próprio Zé Kéti e, posteriormente, ficou famosa na voz de Dalva de Oliveira (1917-1972). 

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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