Papo Musical

As ‘Choronas’

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Chorona é uma pessoa que chora muito: a chorona não se cala por nada! Mas hoje, vamos conhecer o grupo “Choronas”, que não se cala porque está sempre fazendo música, especialmente o choro, gênero musical que lhe dá o nome. Segundo o Dicionário da Música Brasileira, os primeiros conjuntos de choro surgiram por volta de 1880, no Rio de Janeiro, que era a capital do Brasil Império. Esses conjuntos agrupavam pequenos grupos de músicos, muitos deles modestos funcionários públicos que se reuniam nos subúrbios cariocas ou nas residências do bairro da Cidade Nova, onde muitos integrantes moravam. 

A música que praticavam tinha um caráter choroso. Daí surgiu o nome. As “Choronas”, grupo composto exclusivamente por mulheres musicistas paulistas, criaram um registro característico entre o popular e erudito. O cavaquinho e a percussão são tocados por duas integrantes ligadas a música popular, enquanto flauta e violão são de musicistas com formação mais erudita. 
 
Os primeiros grupos de choro eram formados pela flauta como solista, o cavaquinho como “o centro” e o violão como “a baixaria”. Segundo as musicistas Gabriela Machado (flauta transversal), Ana Cláudia César (cavaquinho), Paola Picherzky (violão de 7 cordas) e Roseli Câmara (percussão), “é essa formação, muito mais que o fato de sermos mulheres, que nos torna diferentes dos outros grupos de choro”. 
 
Em um mundo tão cheio de juízo de valores, as “Choronas” contam que felizmente não sofrem nenhum tipo de preconceito de gênero. "No início, as pessoas ficam ressabiadas, receosas do resultado, mas não sofremos discriminação", dizem. O grupo surgiu no cenário do choro paulista, em 1994, através de apresentações na loja de instrumentos musicais “Contemporânea, de seu Miguel, como é conhecido o dono da loja. Nas apresentações, além de tocar choro, baião, maxixe e samba, elas falavam sobre os compositores e obras para o público presente. 

Após esse início informal, as “Choronas” foram crescendo, dedicando-se à pesquisa e se profissionalizando. Paola Picherzky conta que o grupo nasceu da ideia de “ter um grupo de mulheres e tocar choro”. Já a integrante Ana Cláudia ressalta o prazer de tocar em grupo. “Ser solista é muito solitário. É legal a troca em grupo”, diz. Atualmente, elas se apresentam em diversos espaços culturais de São Paulo, outras cidades brasileiras e no exterior.
 
Ouviremos o grupo “Choronas”. interpretando o famoso Corta-jaca, uma das músicas mais gravadas e conhecidas de primeira chorona, Chiquinha Gonzaga.  

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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