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As festas juninas no Brasil

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As chamadas festas juninas são comemoradas no Brasil desde o século 17, todo mês de junho. Essas festas associam-se aos santos católicos comemorados ao longo do mês: São João, Santo Antônio e São Pedro. Pesquisadores especializados em festividades apontam rituais dos antigos povos germânicos e romanos como origens das festas juninas. Os povos que habitavam as regiões campestres, na Antiguidade Ocidental, prestavam homenagens a diversos deuses, aos quais eram atribuídas as funções de garantir boas plantações, boas colheitas e fertilidade. 

Esses ritos festivos eram executados durante a transição de inverno para o verão, que na Europa acontece no mês de junho. Nesses rituais, como acontece até os dias de hoje, acendiam-se fogueiras, soltavam-se balões e festejavam com cânticos e danças. Na passagem da Idade Antiga para a Idade Média, com a cristianização dos romanos e dos povos bárbaros, essas festividades passaram a ser assimiladas pela igreja católica, que diluiu o culto aos deuses pagãos do período junino e substitui-os pelos santos. Dessa maneira, a religiosidade popular absorveu de forma muito profunda essa mistura das festas pagãs com a doutrina cristã.

No Brasil, as festividades juninas foram se estabelecendo a partir da colonização portuguesa sem maiores dificuldades. Além de manterem as características herdadas da Europa, como a celebração dos dias dos santos, também mesclaram elementos típicos do interior do Brasil forjadas pela mistura das culturas africanas, indígenas e europeias.

A fogueira, um dos elementos básicos da tradicional festa de São João, fundamenta-se na história do nascimento de João Batista. Ela era um sinal de Santa Isabel, mãe de São João, para Maria, mãe de Jesus. A prática da fogueira na noite de 23 para 24 de junho nas festas juninas foram trazidas para o Brasil pelos padres jesuítas. Com o passar do tempo, essa prática foi associada a outras tradições populares, como o forró e outras danças populares. A quadrilha caipira, também característica das festas juninas, herdou elementos dos bailes populares da Europa, como as palavras “afrancesadas”: anarriê, alavantú e balancê.

Ouviremos, de Hermeto Pascoal, “Forró pela manhã”, com Hermeto Pascoal, flugelhorn e sanfonas; Raminho, zabumba; Fábio Pascoal, triângulo; Wellington, bateria; Ivo Costa, agogô; Vinicius Dorin, flautim e sax baixo; Itiberê Zwarg, baixo; Heraldo do Monte, viola.

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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