Papo Musical

Concerto para piano e orquestra de Ronaldo Miranda

Divulgação / Reprodução


Aos 70 anos, Ronaldo Miranda é um compositor carioca de carreira plural. Reconhecido mundialmente, ele tem obras executadas em vários países do mundo em importantes festivais internacionais. As obras de Ronaldo compreendem desde música solo, coral, de câmara até orquestra, banda sinfônica e ópera. O compositor diversificou as composições para os mais distintos instrumentos e combinações, reforçando, assim, a magnitude composicional.

Foi a partir da década de 1970, quando obteve o 1º prêmio no concurso de composição para a II Bienal de Música Brasileira Contemporânea da Sala Cecília Meireles, que intensificou o trabalho como compositor.  Na mesma década, ele foi selecionado para representar o Brasil na Tribuna Internacional de Compositores da Unesco, em Paris.

Ronaldo recebeu inúmeros prêmios em Concursos Nacionais de Composição e o troféu Golfinho de Ouro do Governo do Estado do Rio de Janeiro. A Associação de Críticos de Arte de São Paulo (APCA) considerou as “Variações Sinfônicas” a melhor obra orquestral de 1982. Dentre as oito obras concertantes escritas até o presente momento, Ronaldo dedicou duas para piano solista: Concerto para Pano e Orquestra (1983) e Concertino para Piano e Orquestra de Cordas (1986). 
 
“Sob a regência de Eleazar de Carvalho, o concerto da OSESP, no Teatro Cultura Artística, marcava a estreia do Concerto para Piano e Orquestra, de Ronaldo Miranda, que teve o autor como solista. A obra estava à altura da ocasião, representando uma leitura moderna do gênero concerto para piano: música contemporânea sem pretensões ao vanguardismo, que recapitula, em linguagem pessoal, um Bartók ou até um Shostakovich, e que cumpre uma função básica da música: atingir esteticamente o público e os próprios instrumentistas”, escreveu Luiz Paulo Horta para o Jornal do Brasil, em 1983.
 
A pianista goiana Laura Umbelino, especialista na obra para piano de Ronaldo Miranda, acaba de defender a tese de doutorado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) intitulada “O Pianismo de Ronaldo Miranda em seu concerto para Piano e Orquestra (1983)”. Segundo Umbelino, esse concerto “foi escrito no período de livre atonalidade para a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), a partir de encomenda do Maestro Eliazar de Carvalho, cuja dedicatória foi para seu mestre de composição, Henrique Morelembaum, em que Miranda o reconhece como aquele ‘que me ajudou a descobrir uma linguagem própria’”. 
 
O concerto, em três movimentos (tenso, grave e lúdico), utiliza-se de estruturas formais tradicionais, que coexistem com a linguagem contemporânea. Ouviremos a gravação do Concerto para Piano e Orquestra de Ronaldo Miranda, com a orquestra Sinfônica Jovem de Goiás, sob a regência do maestro carioca Thiago Santos e solo da pianista goiana Laura Umbelino.

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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