Papo Musical

Conheça o grupo Mawaca

Foto: Amanda Moraes / Reprodução Facebook: grupomawaca/

Em tempos de tanta intolerância, um grupo musical composto por treze integrantes, a maioria mulheres, consegue trabalhar a pluralidade étnica, levando ao público uma oportunidade de compreender as diferenças entre os povos, seja ele indígena, muçulmano árabe ou refugiado africano. As questões femininas também estão sempre presentes no universo sonoro do grupo. Denominado   Mawaca, o conjunto musical exemplifica, por meio de músicas, questões que passam pela diversidade cultural, raciais e religiosas, abrindo os olhos e ouvidos do público.
 
E esse nome? Segundo a diretora musical Magda Pucci, quando procuravam um termo que definisse o espírito do projeto musical que estava por vir, em 1995, ela encontrou estampada no The New Oxford Companion to Music a palavra mawaka (com “k”), que na língua haúça significa cantores. Para essa etnia da Nigéria, mawaka designa os músicos que recorrem ao poder mágico da palavra cantada para atrair a força dos espíritos. Waka é um tipo de poema cantado que tem valor sagrado entre os haúças e ma, aquele que interpreta o poema.

A junção das duas palavras dá origem a essa categoria musical na Nigéria muçulmana, entoada por aqueles que vão às casas das pessoas para curá-las de males ou problemas financeiros, sempre em forma de cantos. No entanto, a escolha de um termo africano, ainda conforme relata a Magda Pucci, poderia limitar a imagem do grupo, cujo repertório não se restringe a músicas do continente negro. 

As pesquisas seguiram e Magda descobriu que aquele termo apontava para diversas outras culturas. Diante de tantos significados e possibilidades linguísticas, o grupo trocou o “k” pelo “c”, abrasileirando a grafia. Assim, firmaram o nome definitivo, Mawaca, com o desejo de que todos os sentidos encontrados nesses significados de diversas regiões inspirassem a música do grupo.
 
O Mawaca pesquisou e recriou músicas das mais diversificadas partes do mundo, interpretando canções em mais de 20 línguas, no quais as cantoras são acompanhadas por um grupo instrumental acústico: acordeom, violoncelo, flauta, sax soprano, contrabaixo. Também são acompanhadas por instrumentos de percussão, como as tablas indianas, derbak árabe, djembé africano, berimbau, vibrafone e pandeirões do Maranhão.

É interessante notar que o Mawaca, em razão dessas pesquisas, também identificou a expressão vocal com o labor, no qual pessoas têm o habito de cantar em coro ao laborar e, inclusive, ritmar o labor de acordo com essa expressividade. Ouvindo o conjunto podemos perfeitamente identificar cantos e batidas que, independente da origem dos cantos entoados, nos reportam a situações vivenciadas dentro de um universo cultural inteiramente nosso. Resgastes de um passado perpassados por ancestrais ou em linguagem atual, os links, que nos remetem a experiências vivenciadas por outras gerações que nos antecederam.
 
O grupo se apresenta em diversas formações, sempre dirigido por Magda Pucci. No vídeo abaixo, ouviremos parte de um espetáculo do grupo em um show multimídia com toques teatrais. A apresentação nos leva a uma grande viagem sonora, por vários lugares do mundo como a França, Albânia, Tanzânia, Índia, Portugal, Israel e Brasil. Isso cria uma verdadeira trama de sons e fios de histórias, que se entrelaçam durante o show denominado “Pelo Mundo com Mawaca”. 

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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