Papo Musical

José Eduardo Martins: o pianista do repertório não freqüentado

Tatiane Bina / Divulgação / Reprodução www.joseeduardomartins.com


O pianista e pesquisador brasileiro José Eduardo Martins nasceu em São Paulo, em 1938, em uma família dedicada às artes e ao conhecimento. Irmão do jurista Ives Gandra Martins (1935) e do maestro João Carlos Martins (1940), José Eduardo tinha um pai dedicado a fazer dos filhos pessoas que viriam ao mundo para fazer diferença. Professor titular aposentado da Universidade de São Paulo, desenvolveu uma carreira brilhante como pianista e pesquisador. 

Começou seus estudos de piano na capital paulista com o professor russo José Kliass (1895–1970). Em seguida, partiu para Paris, onde estudou com Marguerite Long (1874 – 1966), Jean Doyen (1907–1982) e Louis Saguer 1907–1991). Martins é doutor Honoris Causa pela universidade Constantin Brâncuşi da Romênia e Acadêmico Honorário da Academia Brasileira de Música. Recebeu em Bruxelas, em 2004, a Ordem do Rio Branco, uma das honrarias mais significativas do governo brasileiro. Em 2011, foi agraciado com a comenda "Officier dans l'Ordre de La Couronne", outorgada pelo Rei Alberto II, da Bélgica. Recentemente, juntamente com o musicólogo e autor português Mário Vieira de Carvalho (1943), tornou-se sócio honorário da Associação Lopes-Graça.

José Eduardo se dedicou ao repertório não frequentado, realizando ciclos com as integrais de compositores como Debussy (1862 – 1918), Scriabin (1872 – 1915), Rameau (1683 – 1764), Moussorgsky (1839 – 1881), Fernando Lopes-Graça (1906 – 1994), entre outros. Apresentou, em primeira audição, mais de 130 composições contemporâneas de autores de vários países. Realizou a gravação de 22 CDs na Bélgica, Bulgária e Portugal, lançados pela Labor (EUA), PKP (Bélgica), Portugaler, Portugal Som/Numérica (Portugal) e pelo selo De Rode Pomp, da Bélgica Flamenga. 

Ele é autor de diversos livros sobre música e de mais de uma centena de artigos publicados em várias revistas e periódicos do Brasil e do exterior, incluindo artigos para a Biblioteca Nacional de Paris, Imprensa da Universidade de Coimbra e para a Universidade de Sorbonne. Além disso, foi responsável pela redescoberta, no fim dos anos setenta, do grande compositor romântico brasileiro Henrique Oswald (1852– 1931), realizando gravações, primeiras audições e edição de partituras de inúmeras obras para piano solo e camerística com piano do compositor.  Martins é autor do livro “Henrique Oswald – Músico de Uma Saga Romântica”: 

“(...) Ainda bem que bem que o pianista, durante uma pausa, entre escalas e arpejos, contemplou o compositor com um livro que fez chorar de alegria. Lá no céu”. 
(Oliver Toni (1926), compositor e maestro)

Para sorte dos goianos, José Eduardo Martins tem forte ligação com a cidade que frequenta desde os anos setenta. Nesta semana, José Eduardo deu mostra de seu potencial pianístico e pesquisador. Convidado do VI Simpósio Internacional de Musicologia realizado pela Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás, Martins ministrou curso abordando a obra pianístaica de Henrique Oswald e apresentou um magnífico recital no Centro Cultural UFG com as obras do compositor português Fernando Lopes- Graça.

Ouviremos o pianista José Eduardo Martins interpretar o estudo op 42, n. 5 do compositor russo Alexander Scriabin (1872 – 1915).

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, mestre em Música na contemporaneidade, doutoranda em Ciências Musicais na Universidade Nova de Lisboa - Portugal. Promove Séries de Concertos em Goiânia. (www.concertosemgoiania.com)

 

Comentários
Os comentários publicados aqui não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade de seus autores.
POR DATA