Papo Musical

O homem da flauta de ouro

Reprodução / Wikipédia


O flautista francês Jean-Pierre Louis Rampal, nascido em Marselha no dia 07 de janeiro de 1922, completaria nesta semana 96 anos de idade se vivo fosse. Ao morrer, em 20 de maio de 2000, em Paris, Jean-Pierre deixou um inestimável legado aos flautistas de todo do planeta. 

O francês é conhecido como o “homem da flauta de ouro”. O título se deve ao fato de Jean-Pierre ter utilizado a única flauta de ouro manufaturada pelo fabricante Louis Sprit Lot (1807-1896). Ele tocou com ela até 1958. O flautista também foi dono de outra preciosa flauta dourada manufaturada por William S. Haynes (1864-1939). E com esses instrumentos tão especiais, ele interpretou praticamente todo o repertório existente para o instrumento, além de muitas peças escritas especialmente para ele. 

Jean-Pierre dizia que a flauta de ouro transmitia ao som uma qualidade diferente da prata. De fato, o músico possuía uma sonoridade cristalina, uma técnica extraordinária e uma grande sensibilidade musical, fazendo dele um dos maiores flautistas de todos os tempos. A carreira internacional o levou aos quatro cantos do mundo, incluído o Brasil. Ele foi responsável por grande ampliação do repertório de flauta, redescobrindo, editando e gravando uma quantidade enorme de obras até então inéditas ou desconhecidas. 

Ele também atraiu a atenção de inúmeros compositores contemporâneos, que viam na flauta, a partir de Jean-Pierre, um instrumento de grandes possibilidades artísticas. Uma das obras mais tocada pelos grandes flautistas, a “Sonata para Flauta e Piano”, do também francês Francis Jean Marcel Poulenc (1899-1963), foi dedicada a Jean-Pierre.  Fontes bibliográficas indicam que Poulenc compôs a sonata na cidade de Cannes, no sul da França, entre dezembro de 1956 e março de 1957.  

Em 18 de junho de 1957, a obra foi estreada oficialmente no Festival de Estrasburgo com Jean-Pierre à flauta e o próprio compositor ao piano. Ouviremos a “Sonata para Flauta e Piano de Poulenc”, em gravação histórica datada de 1968, com Jean-Pierre na flauta e o pianista Robert Verron-Lacroix (1922-1991). O afamado Duo Rampal/Verron-Lacroix realizou inúmeros concertos e premiadas gravações em uma parceria que durou mais de 30 anos.

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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