Papo Musical

O que há de novo na produção da música brasileira de concerto?

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Um dos mais importantes eventos artísticos musicais do país, a XXII Bienal de Música Brasileira Contemporânea, realizado pela Fundação Nacional de Artes (Funart), em parceria com a Academia Brasileira de Música e com o patrocínio do Ministério da Cultura, acontece entre os dias 23 e 29 de outubro na cidade do Rio de Janeiro. 

As origens das bienais de música contemporânea estão nos I e II Festivais de Música da Guanabara, realizados nos anos de 1969 e 1970 e idealizados pelo compositor Edino Krieger. Na ocasião, os eventos tiveram o imediato apoio da então diretora da Sala Cecília Meireles Myrian Dauelsberg. A primeira edição da Bienal aconteceu de 8 a 12 de outubro de 1975 e, desde então, vem contribuindo para a visibilidade e abrangência da produção musical brasileira.

A bienal de 1975 estreou como uma mostra do que havia de novo na música de concerto daquele período. A partir das edições posteriores, foi criado um concurso para novos compositores, com seleção dos participantes por edital. Também começaram a ser realizadas encomendas de obras, apresentando exclusivamente peças inéditas, compostas especialmente para o próprio evento.

A Bienal de 2017 é composta de peças comissionadas de 15 compositores convidados e de outros 46 contemplados via edital. O compromisso da Bienal é refletir e estimular todas as manifestações da música brasileira de concerto contemporânea, em diversidade estética, formas de linguagens, meios e formações. Estão presentes, nesta edição, obras desde a música orquestral à eletroacústica, em diferentes combinações. 

Esta Bienal homenageará Sérgio Roberto de Oliveira, compositor que foi integrante do grupo Prelúdio 21, que mantém uma agenda de concertos mensais, oferecendo uma série estável ao calendário musical do Rio de Janeiro. Também será homenageado o embaixador Vasco Mariz, historiador e musicólogo, pesquisador da música brasileira e autor 56 livros publicados. Mais do que uma contribuição, os livros de Vasco Mariz são uma referência essencial para o estudo e a memória do processo de construção da identidade cultural musical brasileira. 

Por fim, o evento também homenageará o pesquisador Flávio Silva, estudioso e pesquisador da produção musical brasileira, cujo nome e atuação estão vinculados decisivamente às Bienais de Música Brasileira Contemporânea, tendo sido Coordenador de Música de Concerto, do Centro da Música da Funarte, até o início deste ano.  

Os organizadores da Bienal acreditam que o público terá a oportunidade de conhecer uma mostra significativa da produção atual da música brasileira e da criação, sempre em processo, de nossa música de concerto. 

Ouviremos “Jogos”, do compositor Ronaldo Miranda. A obra foi estreia na XX Bienal de Música Contemporânea, em outubro de 2013, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em três movimentos, a obra foi encomendada pela Funarte em 2012, para violoncelo e orquestra, e explora aspectos rítmicos, melódicos e tímbricos do instrumento solista em relação à massa orquestral, num processo que alterna diálogos, rarefações e superposições das mais variadas texturas. “Jogos” está sendo interpretado pelo violoncelista Antônio Del Claro, pela Orquestra Petrobras Sinfônica, sob a regência do maestro Roberto Duarte. 

Serviço

XXII Bienal de Música Brasileira Contemporânea
De 23 a 29 de outubro de 2017

Programação

Dia 23, segunda-feira, às 19 horas – Theatro Municipal
Obras de Ernani Aguiar, Ronaldo Miranda, Liduíno Pitombeira, Paulo Costa Lima, Eli-Eri Moura e Marlos Nobre.

Dia 24, terça-feira, às 19 horas – Sala Cecília Meireles
Obras de Luciano Leite Barbosa, Caeso, William Billi, OiliamLanna, Marcos Nogueira, Igor Maia, Gustavo Bonin, Luã Almeida, Patrícia de Carli e Aylton Escobar.

Dia 25, quarta-feira, às 19 horas – Sala Cecília Meireles
Obras de Marcos Lucas, Edino Krieger, Sérgio Roberto Oliveira, Mauricio Dottori, Tauan Gonzalez Sposito, João Isaac Marques, Guilherme Bertissolo, Santiago Beis, Caio Facó, Luigi Antonio Irlandini, Alexandre Schubert e Marco Feitosa.

Dia 26, quinta-feira, às 19 horas – Sala Cecília Meireles
Obras de Danilo Rosseti, José Ricardo, Jorge Antunes, Alex Pochat, Bryan Homes, Luiz Carlos Csekö. Guilherme Ribeiro, Levy Oliveira, Bruno Santos, Thiago Diniz e Lucas Filipe Oliveira.

Dia 27, sexta-feira, às 19 horas – Sala Cecília Meireles
Obras de Dimitri Cervo, Helder Oliveira, João Guilherme Ripper, Edson Zampronha, Ricardo Tacuchian, Wellington Gomes.

Dia 28, sábado, às 19 horas – Sala Cecília Meireles
Obras de Fred Carrilho, Danniel Ribeiro, Paulo Cesar Santana, Maryson J. S. Borges, Diego Batista, Alexandre F. Travassos, Felipe de Almeida Ribeiro, Rodrigo Marconi, Marisa Rezende, Vinicius Amaro, Cadu Verdan e Armando Lôbo.

Dia 29, domingo, às 17 horas – Sala Cecília Meireles
Obras de Ângelo Martins, Marco Antônio Machado, Marcos Cohen, Roberto Victorio, Rodrigo Cicchelli.

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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