Papo Musical

Pop e lírico juntos em interpretação antológica

Reprodução / Divulgação

No final da década de 1980, o vocalista da banda Queen, Freddie Mercury, e a cantora lírica Montserrat Caballé se juntaram para gravar o álbum Barcelona, unindo dois expoentes de universos distintos. A gravação, segunda e última do cantor e compositor britânico em carreira solo, foi lançada em 1988, realizando um antigo sonho de Freddie, apaixonado e conhecedor de ópera.

Barcelona foi escolhido para ser o hino da abertura dos Jogos Olímpicos de 1992, na Espanha, muito embora Mercury tenha morrido cerca de sete meses antes da cerimônia. Ela também foi utilizada como música título para a cobertura da BBC de Londres na mesma Olimpíada. 

Caballé foi considerada por muitos críticos como a melhor soprano do século 20, ganhando um Grammy e o Príncipe das Astúrias das Artes, a mais alta distinção concedida na Espanha, em 1991."Eu não me considero uma lenda da ópera, nem a última diva, como os jornalistas às vezes escrevem. Cada época tem seus divos e, no meu caso, a única coisa que fiz foi fazer bem o meu trabalho, da melhor forma possível, no mais alto nível", disse ela. 

Já a voz incomparável de Mercury foi investigada cientificamente por pesquisadores austríacos, checos e suecos. Segundo informações do site norte-americano Consequence of Sound, o estudo comprovou que Freddie não tinha uma extensão vocal que atingisse quatro oitavas, porém apresentou que ele era barítono, apesar de ser conhecido como um tenor. 

Foi descoberto também que suas pregas ventriculares vibravam junto com as pregas vocais, algo impensável para a maioria dos humanos. Além disso, as cordas vocais de Mercury vibravam mais rápido do que as de outras pessoas. A onda causada pelo vibrato dele era mais intensa do que a do tenor Luciano Pavarotti. 

Montserrat morreu em outubro de 2018, em Barcelona, aos 85 anos de idade.  Freddie Mercury morreu aos 45 anos de idade, vítima de broncopneumonia, acarretada pela AIDS, em novembro de 1991, um dia depois de ter assumido a doença publicamente. Embora já não estejam mais neste plano, as vozes desses ícones jamais serão apagadas da história da musica universal. 

Recentemente, Freddie Mercury foi homenageado em Bohemian Rhapsody. O filme está prestes a se tornar a cinebiografia musical mais bem-sucedida de Hollywood de todos os tempos. O longa que conta a história do Queen e do lendário vocalista da banda, Freddie, arrecadou US$ 294 milhões em todo o mundo nas primeiras semanas após a estreia e concorre ao Oscar 2019 de melhor Filme/Drama e Melhor Ator. 

Ouviremos How Can I Go On, do álbum Barcelona, gravado em 1988, interpretada por Freddie Mercury e Montserrat Caballé. 

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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