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Obesidade: eu trato com respeito

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Hoje, 11 de outubro de 2017, é o Dia Mundial da Obesidade. Não é novidade alguma que a obesidade é uma doença crônica. Ela se caracteriza pelo excesso de gordura corporal, que pode e deve ser tratado. Mais que isso, é uma doença que deve ser tratada com respeito. Não é a toa que a campanha constante do vídeo (veja no final do texto) da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, com apoio da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, para o Dia Mundial da Obesidade usa a hashtag #obesidadeeutratocomrespeito.

Me alegra ser parte desse slogan. Enquanto psicóloga, primo pelo respeito à história cada paciente que adentra meu consultório. Na clínica psicológica, todo bom profissional da área sabe da necessidade de se fazer um rapport (técnica usada nos primeiros atendimentos psicológicos) de qualidade a fim de estabelecer um vínculo, uma ligação de sintonia e empatia com o paciente. O rapport tem origem no termo em francês rapporter, que significa "trazer de volta".  Ele acontece quando nasce a sensação de sincronização entre paciente e psicólogo, o que não ocorrerá se não houver respeito com a condição do paciente.

Assim, com respeito, procuro mergulhar na história de vida do meu paciente, buscando compreender os caminhos que o levaram ao estado atual (sobrepeso ou obesidade) para, então, descobrir, conjuntamente, quais caminhos terão que ser percorridos por ele para mudar a história.

O comportamento alimentar, nesse caso, é uma cortina que quando desvelada possibilita a entrada na subjetividade do paciente, processo que exige, acima de tudo, respeito. Na prática clínica, costumo propor um exercício denominado fantasia dirigida, que funciona da seguinte forma: solicito que o paciente imagine que, num passe de mágica, ele se torna magro. De olhos fechados, ele mergulha nessa fantasia e, quando finalmente consegue ver-se magro, pergunto: e agora, o que você pretende fazer? 

Esse exercício sugere que para, boa parte das pessoas, a obesidade surge como escudo ante os problemas da vida que são considerados de difícil solução ou até mesmo intransponíveis. Estar obeso seria então, neste caso, um claro movimento inconsciente de autoproteção.

O fato é que em muitos casos de obesidade parece mais fácil suportar as suas consequências do que olhar para dentro de si e encarar medos, frustrações e carências. Assim, transfere-se a verdadeira dor para a dor de estar obeso. A dificuldade em lidar com conteúdos psíquicos tão complexos torna o respeito ainda mais importante no processo psicoterapêutico.

Quanto a mim, que encaro esse trabalho como um propósito de vida, o fato de ter sido obesa facilita sobremaneira que eu trate meus pacientes com respeito, empatia e compromisso, pois entendo quão complexo é, do ponto de vista psíquico, vivenciar tal situação. No entanto, posso afirmar que mais gratificante do que ver a mudança corporal nos meus pacientes, como resultado do emagrecimento, é observar quando o processo de emagrecimento saudável ultrapassa os quilos perdidos e resulta em um processo de mudança da própria vida do paciente!
 
*Ana Spenciere é psicóloga clinica formada pela PUC-GO. Pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental e coach de Bem-Estar e Emagrecimento. Idealizadora do Método de psicoterapia para emagrecimento chamado Programa Emagreça +( www.programaemagrecamais.com.br).

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