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Nem tudo são flores no caminho da felicidade

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Como disse no blog anterior, é possível sim criarmos uma mudança positiva para melhorar nossos níveis de felicidade e bem-estar. Os estudos científicos revelam que os fatores genéticos, como o temperamento, as circunstâncias da vida, como a quantia de dinheiro que possuímos, e o meio onde vivemos influenciam sim a nossa felicidade. Mas as nossas escolhas também influenciam muito. Ou seja, se decidirmos assumir determinadas atitudes, podemos influenciar positivamente a nossa felicidade, reduzindo o impacto da genética e das circunstâncias da vida. E são exatamente essas escolhas que promovem mudanças positivas em nossas vidas e nos possibilitam caminhar na construção de uma felicidade sustentável. 

Mas antes de falar sobre escolhas e mudanças, quero te alertar sobre algumas armadilhas que você pode encontrar nesse caminho. Eu mesma já caí em algumas delas. A primeira é entrar para a tirania da felicidade. Começar a pensar que tem a obrigação de ser feliz, que só pode ter pensamentos positivos, emoções agradáveis e que deve ser feliz de qualquer maneira. Eu já caí nessa armadilha e me dei mal. Na ânsia de viver uma vida feliz, comecei a varrer para debaixo do tapete qualquer pensamento e sentimento que não estavam de acordo com meu ideal de felicidade.

Tristeza? Nem pensar. Raiva? Está louca! E gente feliz sente raiva? Medo e insegurança? Fora do meu cardápio de emoções. Acredite! Essa armadilha é o maior obstáculo para a conquista de uma felicidade sustentável. Vivenciar todas as emoções, sejam elas agradáveis ou não, faz parte de uma vida feliz. Para sermos felizes, precisamos da nossa inteireza, precisamos olhar de frente para todos os eventos da nossa vida, sejam eles bons ou não. As emoções desagradáveis são excelentes portas de entrada para o nosso autoconhecimento e para estimular nossa criatividade na busca de novas soluções e caminhos.
 
A segunda armadilha é pensar que um processo de mudança é linear e que manteremos nossa motivação no pico mais alto durante todo o caminho. Não é bem assim. Algumas pesquisas apontam cinco etapas vivenciadas num processo de mudança:

1ª etapa: pré-contemplação – quando nem estamos pensando em mudar.
2ª etapa: contemplação – quando nos conscientizamos da necessidade da mudança, mas não fazemos nada a respeito.
3ª etapa: preparação – quando sabemos o que precisamos fazer para a mudança acontecer e já começamos a fazer algumas pequenas mudanças ou planejamos a ação para um futuro próximo.
4ª etapa: ação – quando fazemos as maiores e mais consistentes mudanças.
5ª etapa: manutenção das mudanças – quando mantemos as mudanças por um período, normalmente por seis meses, e conquistamos um hábito. 

Essas etapas se dão num movimento cíclico, o que quer dizer que muitas vezes estamos na 4ª etapa e voltamos para a 2ª etapa. Isso é comum. Então, se você iniciar algumas mudanças positivas que vou propor por aqui e se ver nesse movimento cíclico, não desista. Eu passei por isso, mas de tanto persistir fui me firmando na 4ª e na 5ª etapa e aí... Bingo! Comecei a sentir o efeito de uma felicidade sustentável. E acredite: é muito bom. Uma outra armadilha é duvidar da nossa capacidade de mudar, cultivando pensamentos de desânimo e incredulidade. Você pode não sentir os efeitos imediatos da mudança e terá uma tendência de duvidar da sua eficácia, acabando por desistir. 

Para sentir esse processo criativo fluir, você terá que ter persistência para realizar essas mudanças positivas. Falo isso por experiência própria e das pessoas que acompanho nesse processo. Quando comecei meus estudos, não tinha uma constância na aplicação prática daquilo que estudava. Mas à medida que fui sendo persistente e mantendo constância, consistência e coerência, a mudança começou a fluir e a se revelar com mais força. Fui descobrindo meios e jeitos de sustentar essas novas ações na minha rotina diária e, assim, as mudanças foram chegando. É preciso ir para a ação. E para a ação de novo, e de novo, e de novo. É preciso persistir nessa ação. Só assim você criará uma mudança sustentável e poderá colher os frutos dela: uma vida com mais alegria e bem-estar. 

As mudanças positivas que vou apresentar nos próximos blogs vão apoiá-la na construção desse processo criativo de viver a vida com mais bem-estar e felicidade. Mas esteja atenta para não cair em nenhuma dessas armadilhas ou em outras que podem surgir no seu caminho pessoal. Nos vemos no próximo blog com a primeira dica para construir essa tal felicidade. 

*Yara Carvalho é pedagoga, psicopedagoga e especialista emocional. Tem pós-graduação em Psicologia Analítica e Psicologia Transpessoal e várias formações na área de desenvolvimento humano, inteligência emocional, relacionamentos interpessoais e Psicologia Positiva. É facilitadora de programas de autoconhecimento e desenvolvimento da inteligência emocional e de workshops para pais que desejam investir em seus relacionamentos familiares e na educação emocional dos filhos. 

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