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Você já ouviu falar em banco de colágeno?

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Cerca de um terço da proteína de nosso corpo é colágeno, que tem como função estrutural proteger tecidos menos resistentes e permitir a conexão com o esqueleto. Mas além disso, essa substância tem inúmeros atributos: deixa a pele resistente e elástica, atua no fortalecimento de unhas e promove maior resistência, espessura, crescimento e brilho aos cabelos. No entanto, após os 25 anos, há uma diminuição na produção do colágeno, que se acentua a cada década. A falta da proteína resulta em uma pele sem viço, com flacidez e rugas, além de unhas e cabelos fracos. Assim, segundo as dermatologistas Ana Flávia Teixeira Irigon e Talita Alves Teixeira, tratar precocemente a pele seria uma forma de prevenir essa perda, criando uma espécie de “estoque de colágeno”.

O que é a bioestimulação e para que serve?

É o estímulo à produção de colágeno no próprio organismo por meio de procedimentos minimamente invasivos. Essa técnica tem como objetivo promover a ativação e intensificação da produção dessa proteína que é tão importante para a manutenção da qualidade da pele. Conceitualmente, esse tratamento visa prevenir a perda de colágeno, mas em pacientes onde essa perda já é visível, quando associado e bem programado, também obtêm-se excelentes resultados.

Como funciona?

A bioestimulação pode ser realizada com associação de tecnologias e produtos injetáveis. As tecnologias mais utilizadas com esse objetivo são o ultrassom microfocado e o microagulhamento robótico. O ultrassom microfocado tem uma ação na musculatura, tecido gorduroso e derme profunda, resultando na melhora do suporte muscular, em neocolagênese e contração de fibras elásticas. Por ter ação profunda, essa tecnologia não deixa marcas na superfície. Já o microagulhamento robótico é uma tecnologia que associa o microagulhamento já conhecido à tecnologia da radiofrequência. Além do estímulo do colágeno, a técnica permite a penetração de medicamentos pelos microcanais na pele. E os produtos injetáveis mais utilizados para bioestimulação são a hidroxiapatita de cálcio e o ácido l-polilático. O primeiro pode ser usado para sustentação, estímulo de colágeno e como preenchedor. Já o ácido l-polilático promove sustentação e estímulo de colágeno, sem efeito de volume, trazendo grande naturalidade ao procedimento. A associação dos métodos de bioestimulação resultam em uma pele mais firme, com viço, e melhora do contorno facial.

Para quem essa técnica é indicada? Quantas sessões são necessárias?

A indicação do tratamento depende do tipo de pele e grau de perda de colágeno. Em pacientes mais jovens, com boa reserva de colágeno, o número de sessões será menor em relação a pacientes com uma perda mais importante. Podemos associar produtos injetáveis a tecnologias em uma mesma sessão. A radiofrequência microagulhada pode ser realizada até uma vez por mês, mas o número de sessões deve ser estabelecido a depender também de outras queixas, como melasma e cicatrizes. O ultrassom microfocado pode ser realizado a cada seis meses, em áreas específicas da face, como terço inferior, fronte e periocular. Os resultados ocorrem a partir de três meses, mas desde o início pode ser observado um efeito lifting. Com os injetáveis, podemos notar resultado após um mês da aplicação.

É um processo doloroso?

É importante usar analgesia local, com cremes anestésicos, infiltração e bloqueio anestésico para garantir conforto na hora da aplicação. É um procedimento tolerável realizado em consultório médico, em ambiente adequado.

Existem contraindicações para esse tratamento?

A bioestimulação não deve ser realizada em pacientes que apresentem infecção na pele. É contraindicada também para pacientes gestantes ou com doenças autoimunes em atividade. Mas é válido ressaltar que o hábito do cuidado com pele permite envelhecer bem. E para aqueles que podem realizar a bioestimulação, perguntamos: está esperando o que para começar a fazer o seu próprio banco de colágeno?

 

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