Comportamento

Alerta: algumas doenças atingem mais as mulheres

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A ciência já comprovou que as mulheres têm um sistema imunológico mais forte que o dos homens, e por isso adoecem menos em relação a eles. Segundo estudo realizado na Universidade de Gante, na Bélgica, isso se deve ao fato de mulheres terem dois cromossomos X, que contêm 10% de todos os microRNAs do genoma – partículas responsáveis por importantes funções no sistema imunológico e por proteger o corpo contra o câncer.
 
Além disso, elas cuidam mais da saúde do que os homens. Uma pesquisa do IBGE e do Ministério da Saúde apontou que 78% das mulheres haviam procurado o médico pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores ao estudo. Para eles, o índice foi de 63,9%. Esse é um dos fatos que proporcionam uma vida, em média, sete anos mais longa para elas. No entanto, isso não impede que algumas doenças acometam mais as mulheres ou sejam exclusivas delas por diversos fatores, entre eles os genéticos e hormonais. Contudo, especialistas são unânimes: o ritmo de vida acelerado, uma dieta não equilibrada e a ausência de atividade física contribuem para o desenvolvimento da maior parte dessas doenças.
 
Câncer de mama

É atualmente a doença que mais mata mulheres entre 35 e 54 anos em todo o mundo. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama representa 22% dos novos casos de câncer a cada ano, no mundo. Diversos fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença, entre eles idade, história reprodutiva, critérios endócrinos, comportamentais e genéticos. “As mudanças no padrão reprodutivo feminino – elas menstruam mais cedo, têm menos filhos e, quando engravidam, essa gravidez ocorre mais tardiamente –, e a mudança do estilo de vida com a industrialização (alimentação, obesidade, estresse) estão entre as principais causas”, lista o ginecologista-obstetra e mastologista Humberto Carlos Borges.
 
O sintoma mais comum do câncer é o nódulo no seio, acompanhado ou não de dor. Mas o especialista afirma que os nódulos benignos e cistos mamários são os mais frequentes na mama. “Existe uma confusão em pensar que toda alteração percebida seja câncer. Por isso é indispensável o autoexame dos seios regularmente, assim como a avaliação do mastologista rotineiramente e nos casos em que se percebe mudança nas mamas”, orienta.
 
Apesar do número crescente e alarmante, as chances de cura da doença podem chegar a 95% dos casos, se identificada e tratada na fase inicial. “O diagnóstico mais precoce possível é fundamental para otimizar os tratamentos disponíveis. O desejável é que o tumor seja diagnosticado com menos de um centímetro”, recomenda Borges, reiterando que no Brasil a lei em vigor assegura que o Sistema Único de Saúde (SUS) inicie o primeiro tratamento oncológico em até 60 dias da assinatura do laudo patológico, ou seja, do diagnóstico.
O especialista explica que atualmente o tratamento acontece de uma maneira multiprofissional, sendo o mastologista o condutor inicial de todo o processo, que inclui cirurgia (total ou parcial), quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia, tratamento oncoplástico, acompanhamento com psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional e nutrição, com o envolvimento de uma equipe ainda maior, se for necessário.
 
Câncer de colo de útero

Segundo tipo de câncer mais comum entre as brasileiras, o câncer de colo de útero é responsável por cerca de 230 mil mortes por ano no país, segundo dados do Inca, que atribui como principais fatores o início precoce da atividade sexual, multiplicidade de parceiros, higiene íntima inadequada, uso prolongado de contraceptivos, tabagismo e o papilomavírus humano (HPV).
 
A infecção pelo HPV pode causar alterações no colo do útero que precedem o surgimento do câncer. A identificação é realizada com o exame preventivo (Papanicolau) que deve ser feito anualmente – em casos sem alteração – em todas as mulheres que têm ou já tiveram atividade sexual, principalmente aquelas com idade entre 25 e 64 anos.
 
Endometriose

É o acúmulo de sangue menstrual no abdômen, podendo ainda se concentrar em órgãos mais distantes, como o pulmão, e até no sistema nervoso central. Ainda pouco conhecida, a doença afeta cerca de 7 a 10 milhões de mulheres no Brasil e é responsável por 40% dos casos de infertilidade, segundo pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE).
 
Entre os principais sintomas estão cólica menstrual muito forte, sangramento intenso durante a menstruação, dor durante a relação sexual e dificuldade para engravidar. Ainda não se sabe o que causa a endometriose, mas estudos indicam que fatores genéticos, imunológicos e hormonais podem contribuir para o seu desenvolvimento. A doença não tem cura, mas existem tratamentos que proporcionam melhor qualidade de vida às mulheres, incluindo a cirurgia.
 
Doenças do coração

Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares (DCV), elas continuam sendo a principal causa de mortalidade em mulheres acima de 50 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 17 milhões de pessoas morrem por ano vítimas de DCV, e as mulheres ganham cada vez mais espaço dentro dessa estatística. Estudos constatam que, apesar do infarto nos homens ter maior incidência, elas têm uma chance maior de morte. Cerca de 30% das mulheres que sofrem um infarto não sobrevivem.
 
O risco de a mulher desenvolver doença arterial coronariana (DAC) após os 40 anos é de 32%, contra 49% nos homens, sendo que a média de idade de ocorrência de um primeiro incidente é de 65 anos para eles e de 70 anos para elas, conta o cardiologista Wiliam Otaviano Chaves. “É interessante notar que, nas mulheres, as manifestações clínicas (angina e infarto do miocárdio) ocorrem em média de 10 a 15 anos mais tarde do que nos homens. Entende-se que esse efeito se deve à proteção do estrogênio que está presente em mulheres até a menopausa. O hormônio exerce efeitos benéficos sobre os níveis plasmáticos de lipídios e vasos”, esclarece.
 
“Mulheres com diabetes, hipertensão, sobrepeso, alteração nas taxas de colesterol e fumantes têm maior predisposição para desenvolver cardiopatias”, adverte. Contribuem ainda negativamente rotina estressante, sedentarismo e maus hábitos alimentares. Os sintomas de infarto em mulheres costumam variar mais do que nos homens. Confira alguns deles:
 
Sintomas de doença arterial coronariana na mulher

Típicos:

- Angina: dor sobre o coração que aumenta com esforço e melhora com repouso
- Infarto: dor súbita sobre o coração, que não melhora com repouso, acompanhada de sudorese e palidez

Atípicos:

- Dor no pescoço e mandíbula
- Dor nos dentes
- Dor nas costas
- Náusea
- Desconforto epigástrico (na boca do estômago)
- Palpitação
- Dispneia (respiração curta e rápida)
- Pré-síncope / Síncope (desmaio)
 
Depressão

Segundo a OMS, cerca de 350 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão, que será o principal mal do planeta em 2030. De acordo com o órgão, para cada homem com a doença, há duas mulheres que sofrem desse mal. Não existe um único motivo, mas estudos apontam que a principal causa seja o efeito dos hormônios femininos.
 
“As inúmeras alterações hormonais ao longo da vida – puberdade, período reprodutivo, gravidez e a menopausa –, somadas ao acúmulo de funções, ao estresse e às angústias da vida moderna, fazem com que a mulher seja mais suscetível à doença do que os homens”, explica a psicóloga Christina Silva Vieira dos Santos. Exemplo disso, a depressão pós-parto atinge cerca de 10% das mães em países desenvolvidos e 20% em países em desenvolvimento.
 
A especialista sinaliza que períodos de infelicidade, solidão, tristeza e desânimo nas atividades rotineiras são normais na vida. Contudo, é um sinal de alerta quando esses sentimentos duram semanas ou meses, somados à angústia e aos pensamentos de suicídio, “A mulher precisa estar atenta e observar se é uma tristeza que começa a afetar sua saúde psicológica”, alerta Christina, ressaltando ainda a importância de a mulher conhecer o seu histórico familiar, como casos de transtornos mentais, depressivos, depressão pós-parto ou suicídio entre os familiares.

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