Comportamento

Amamentar vale ouro

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Olhos nos olhos, pele em contato com o corpo do bebê e um coração transbordando de amor. Além de criar uma ligação única entre mãe e filho, a amamentação é a mais barata e poderosa maneira de proteger a saúde da criança para garantir crescimento e desenvolvimento saudáveis. 

Benefícios

As mulheres têm tido cada vez mais acesso à informação e o apoio de profissionais capazes de conscientizá-las sobre os benefícios da amamentação. As equipes multidisciplinares que atendem e acompanham essas mães unem forças para incentivar e orientar a amamentação em livre demanda e exclusiva até os seis meses de vida do bebê, gesto que pode se estender até os dois anos de idade, de acordo com as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para especialistas, as mamães precisam ter em mente que seu leite é essencial para a saúde do filho e que o corpo está preparado para produzir a quantidade certa que o bebê necessita. No início, a quantidade pode ser menor, mas com as mamadas, o organismo materno produz o suficiente para que o bebê mame até ficar satisfeito. Dentre diversos outros componentes ainda desconhecidos, o leite materno possui água, proteínas, lactose, ácidos graxos essenciais, anticorpos, hormônios e fatores de crescimento, células-tronco, bactérias, enzimas antibacterianas e antivirais, vitaminas e minerais. É um verdadeiro suplemento para nutrir e desenvolver o bebê e todo o seu organismo.

No colostro, leite produzido na primeira semana de vida, o recém-nascido recebe uma grande quantidade de fatores de proteção contra infecções, que vão desde infecções intestinais ou bacterianas sérias, infecções graves como meningites, otites, pneumonias, até uma gama extensa de problemas que são prevenidos com o aleitamento materno.

Recentemente, foi identificada, pela primeira vez, no leite materno, a célula ILC, conhecida como “comandante” entre as células do sistema imune e que sinaliza quais partículas os macrófagos (também presentes no leite materno) devem atacar. As células benéficas permanecem no intestino do pequeno por vários dias após a amamentação. Enquanto isso, o protege de infecções e ajudam a desenvolver o sistema imunológico.

Saúde da mãe

Quanto aos benefícios para a saúde da mãe, de acordo com a médica pediatra do Banco de Leite Humano do Hospital Materno Infantil, Eliane Marie, além de criar o envolvimento afetivo com o bebê, a amamentação previne doenças como câncer de mama, útero e ovário. 
“Problemas graves na idade adulta que frequentemente podem levar à morte, também ocorrem em menor incidência quando as mães amamentam. Além disso, os hormônios da lactação ajudam o útero voltar ao seu tamanho normal, prevenindo hemorragias e, consequentemente, anemias”, afirma a médica.

Mãe e filho

A amamentação é um gesto que envolve amor, carinho, proximidade, segurança ao bebê e deve ser um momento prazeroso para a mãe. Mas, se a pega estiver errada, pode causar dores e desconfortos. Essa dificuldade é resolvida com a orientação de profissionais preparados para corrigir os erros mais comuns da amamentação. Por isso, aqui vão algumas dicas para tornar esse momento especial e nutritivo:

- Barriga e tronco do bebê voltados para a mãe e alinhados com a cabeça
- Braço da mãe apoiando o corpo e o bumbum do bebê 
- Boca do bebê bem aberta e as bochechas redondas ou “cheias”
- Lábios virados para fora e língua envolvendo o bico do peito
- Queixo do bebê tocando o peito da mãe
- Nariz do bebê não encosta no seio, respirando livremente 

Brasil é destaque

Recentemente, o Brasil foi citado na revista científica britânica The Lancet, como referência mundial em aleitamento materno. Os artigos destacam a evolução histórica do País no tema. Em pouco mais de 30 anos, a média de tempo de amamentação das crianças subiu de dois meses e meio para 14 meses.

Em 1986, apenas 2% das crianças de até seis meses recebiam leite materno exclusivo, mas, em 2008, essa taxa saltou para 41%. Segundo dados da OMS publicados pela mesma revista em outubro de 2015, a mortalidade infantil no Brasil teve queda 20% maior que a média mundial.

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