Comportamento

Ameaça silenciosa: câncer de ovário tem sintomas discretos

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A atriz global Márcia Cabrita morreu na última sexta-feira (10), aos 53 anos, por complicações recorrentes de um câncer de ovário. Pouco se ouve falar sobre esse tipo de câncer, mas atualmente é considerado o tumor ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e também combatido, já que é assintomático. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são registrados no Brasil aproximadamente cinco mil novos casos por ano, sendo que três quartos são diagnosticados em estágios avançados.

De acordo com o Daniel Gimenes, oncologista do Centro Paulista de Oncologia, o câncer de ovário possui maior incidência em mulheres acima dos 50 anos, sendo que na maioria dos casos não é possível identificar previamente fatores de risco que justifiquem o aparecimento da condição. "Um dos fatores que torna esse tipo de câncer tão agressivo é o fato de se iniciar a partir de mutações genéticas não hereditárias que, por sua vez, alteram as características das células e apresentam alta capacidade de se multiplicarem rapidamente, fazendo com que a doença atinja um estágio avançado rapidamente quando não tratado", explica.

Entre os fatores que possivelmente contribuem para o aparecimento da doença, segundo alguns estudos, está o número excessivo de ovulações, que pode levar ao surgimento de tumores, sendo possível adotar como método preventivo o uso de pílula anticoncepcional. "Esses levantamentos concluíram que o uso contínuo da medicação por cinco anos pode diminuir em até 60% a incidência do câncer de ovário", diz Daniel.

O especialista ainda ressalta que apenas 10% dos tumores ovarianos são decorrentes da predisposição genética hereditária, ou seja, causados por uma mutação em certos genes, herdada de pai ou mãe, que pode aumentar o risco de surgimento do tumor. "Nesses casos, é possível realizar exames específicos de análise genética em mulheres cujo histórico familiar desse tipo de câncer sugira a possibilidade de hereditariedade como fator causador da condição, em especial quando avó e mãe apresentaram tumores de ovário. Nessas situações, diante de uma comprovação da suspeita, é possível indicar medidas como a cirurgia preventiva de retirada dos ovários, mas, ainda assim, essa é uma decisão que deve ser tomada de forma conjunta por paciente e médico", pontua o oncologista.

Fique atento aos possíveis sinais e aos tratamentos

O sintoma do câncer de ovário é discreto e demora a se manifestar. Por isso, na maioria dos casos, é diagnosticado tardiamente, quando a doença já se espalhou pelo aparelho reprodutor, dificultando o tratamento. Quando aparentes, pode ocorrer um aumento do volume abdominal, aumento na vontade de urinar, alterações no ciclo menstrual, dor durante a relação sexual, entre outros.

Mesmo sendo o câncer ginecológico com maior índice de óbito no mundo, se diagnosticado precocemente, existem altas chances de cura. Exames como palpação abdominal, toque vaginal e ultrassom são muito recomendados para detectar a doença e tentar reverter esse cenário. "O problema é que os sintomas, quando aparentes, são parecidos com os desconfortos do dia a dia da mulher e, na maioria dos casos, são deixados de lado. Por isso, é recomendado que a mulher procure um especialista caso perceba qualquer alteração, mesmo que pareça usual. Além disso, é aconselhável realizar os exames ginecológicos anualmente", afirma Daniel.

A definição do tratamento para pacientes com câncer de ovário depende do tipo e estágio da doença. Entre os fatores analisados estão ainda a idade e desejo de ter filhos da paciente. "A orientação depende de uma avaliação do histórico da mulher e das condições de saúde como um todo. Em linhas gerais, a cirurgia ainda é o principal tratamento, podendo significar a retirada bilateral ou unilateral do órgão, quando há a possibilidade de preservação de um ovário e uma trompa de Falópio. A quimioterapia pode ser indicada, dependendo do caso, antes ou após a intervenção cirúrgica", destaca.

"A busca por gestações após câncer de ovário deve ser discutida com o médico, já que dependerá de uma abordagem personalizada do caso", finaliza.

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