Comportamento

Até quando esperar?

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“Aos 22 estarei formada, vou namorar, casar e aos 25 quero engravidar”, são sonhos comuns de várias garotas. É, mas a vida não segue apenas o nosso querer, nem mesmo nossos mais estruturados planos. De fato, o período dos 20 aos 30 anos é o melhor para uma gestação, sob o ponto de vista da fisiologia. A Organização Mundial de Saúde preconiza que até os 34 anos a mulher tem mais chances de ter uma gestação saudável, sem risco à mãe e ao bebê. Contudo, a realidade é outra. 

As mudanças no universo feminino são constantes e a maternidade tem sido adiada por vários motivos: desenvolvimento da carreira, planos pessoais do casal, problemas de saúde ou mesmo por não ter encontrado o parceiro ideal. Mas a natureza não espera, e a partir de 30 anos a fertilidade começa a diminuir. A ginecologista e obstetra Lorena Apolinário Martins alerta que a situação se acentua após os 35 anos.

A mulher nasce com uma quantidade determinada de óvulos: cerca de dois milhões. Ao longo da vida, a cada ciclo menstrual, ela vai perdendo folículos e óvulos, em torno de 500 a 1000 por mês. Esse processo de envelhecimento do ovário faz com que ela chegue aos 30 anos com uma quantidade reduzida. “Não existe idade segura, pois algumas pacientes apresentam redução da reserva ovariana antes dos 30 anos. Dessa forma, o mais importante é sempre pedir ao ginecologista que faça uma avaliação da reserva de tempos em tempos”, recomenda a médica.

Congelamento de óvulos

O congelamento de óvulos trouxe para as mulheres a possibilidade de tentar uma gestação no futuro. Contudo, a ginecologista afirma que não constitui garantia de sucesso, e hoje, o procedimento apresenta taxa positiva de 30% de gravidez. “Todas as mulheres a partir dos 30 anos devem começar a refletir sobre o assunto, a Associação Americana de Reprodução Humana (ASRM) recomenda o congelamento de óvulos aos 32 anos de idade. Quanto maior a idade, menor é a taxa de sucesso”, alerta.

Segundo o ginecologista e obstetra Luiz Augusto Batista, o congelamento de óvulos é recomendado para mulheres com doenças como câncer de mama, linfoma ou leucemia e que passaram por tratamento de quimioterapia e/ou radioterapia. O médico trabalha com reprodução humana há 30 anos e afirma que isso ocorre porque os procedimentos químicos podem induzir a menopausa precoce, impossibilitando uma gravidez no futuro, após a cura da doença. 

Carolina Pajaro, 31, foi diagnosticada com câncer de mama no final de 2016. A gerente de marketing passou pela mastectomia nos dois seios e, antes de iniciar a etapa do tratamento hormonal, com duração de dez anos, foi orientada pelos médicos a realizar o congelamento dos óvulos. “Se eu quiser engravidar nos próximos cinco anos, terei 36 anos. Apesar do aumento da chance de algum problema com o bebê e na gestação, e ainda do alto risco de infertilidade após o tratamento, é uma chance que tenho de ter um filho”, relata.

Carol fez indução por meio de medicamentos durante uma semana, para a estimulação dos folículos e coleta dos óvulos. Ao todo, foram retirados 20 óvulos, número considerado excelente para a idade. “É um processo relativamente simples e indolor. Após a retirada tive como efeito colateral uma síndrome chamada de hiper-estimulação ovariana, em que senti dores abdominais, como cólicas menstruais e inchaço.”

O número ideal é o congelamento de 15 óvulos, explica Luiz Augusto, o que daria uma probabilidade de 90% da paciente ter um filho. “Quanto menos óvulos congelados ou maior a idade da mulher, menor será a chance futura de ter um filho”. Ele esclarece ainda que, em tese, todos os óvulos congelados poderão ser utilizados para gerar uma gravidez e não há limite de tempo para que os óvulos permaneçam congelados. Pode haver perdas após o descongelamento, mas o índice está abaixo de 5%.

Ludovica
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