Comportamento

Brasil: 25% dos adultos e 17% das crianças sofrem com hipertensão

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Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) alertam que 51% das mortes por Acidente Vascular Cerebral (AVC) e 45% das mortes por problemas cardíacos no mundo estão relacionadas à hipertensão. A doença é uma condição clínica multifatorial anormal caracterizada pelo aumento por longo período da pressão que o sangue faz para circular pelas artérias do corpo.

Segundo a médica endocrinologista Fernanda Braga, dentre os fatores de risco para a Hipertensão Arterial Sistêmina (HAS) estão a idade aumentada, nível socioeconômico baixo e, claro, maus hábitos de vida, como a obesidade e alto grau de IMC (Índice de Massa Corpórea), sedentarismo, estresse, ingesta de álcool e sódio (sal), tabagismo, sono inadequado e outras variáveis. “Por ser um fator predisponente, a obesidade é responsável por 20 a 30% dos casos de hipertensão. E o acúmulo central de gordura, com depósito no abdômen/tronco, é o que oferece maiores riscos à saúde como um todo. A perda de peso ajuda na redução da pressão arterial”, afirma.

Quais os grupos de risco?

Apesar da incidência de HAS aumentar linearmente com a idade, existem muitos casos de pacientes com menos de 30 anos com a doença. É preciso investigar as causas secundárias que, normalmente, estão relacionadas a algum desequilíbrio hormonal. Exemplos são: hiperaldostetonismo (aumento da aldosterona, substância produzida na glândula adrenal); feocromocitoma (tumor das células cromafins, tipicamente localizado também na glândula adrenal); Síndrome de cushing (excesso de cortisol); acromegalia (excesso do hormônio GH); hipertensão renovascular (alteração das artérias renais); alterações da tireoide e apneia obstrutiva do sono (distúrbio possivelmente grave em que a respiração para e volta diversas vezes).

Sintomas, complicações, prevenção e tratamento

Ainda segundo a médica, a hipertensão não costuma apresentar sinais ou sintomas. “Quando esses aparecem podem já ser uma manifestação de lesão em algum dos órgãos alvo, como coração, cérebro, rins, olhos e vasos sanguíneos, ou situações que chamamos de urgência e emergência hipertensivas. A urgência ocorre quando a pressão está elevada com condição clínica estável e pode ser revertida com medicação via oral. Já a emergência se dá com a elevação crítica da pressão arterial e quadro clínico grave, com lesão progressiva de órgãos-alvo e risco de morte. Exige imediata redução com medicação por via parenteral”, explica Fernanda. 

As complicações da pressão alta são AVC, aneurismas, demência vascular, retinopatia hipertensiva e cegueira, nefropatia hipertensiva e insuficiência renal, infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca. A prevenção primária se dá através de hábitos saudáveis como praticar atividade física, controlar o estresse, não fumar, não ingerir álcool e manter uma alimentação adequada com consumo de frutas, verduras, carnes magras, evitando o consumo de sal em excesso. 

“Exceto quando provocada por causas secundárias, que quando investigadas e tratadas adequadamente proporciona a cura, a pressão alta é apenas controlada através de tratamento com medicação para toda a vida. Muitos hipertensos abandonam a medicação e a pressão volta a subir. Por isso é tão importante visitar o médico regularmente e ficar atento aos hábitos de saúde para evitar complicações”, diz a especialista.

12 por 8, o número ideal para a pressão arterial

A medição da pressão é feita por um aparelho chamado esfigmomanômetro, posicionado em volta do braço, e um estetoscópio para ouvir os sons do peito e é apresentada em milímetros de mercúrio (mmHg). O primeiro número é a pressão sistólica (máxima), registrado quando o coração libera o sangue e não deve ultrapassar 12 mmHg. O segundo valor é a pressão diastólica (mínima) cujo valor ideal é em torno de 8 mmHg.

Diante da preocupação mundial com a doença, entidades americanas como a Associação Americana do Coração e o Colégio Americano de Cardiologia baixaram de 14 por 9 para 13 por 8 o limite para considerar um paciente hipertenso. A partir desse número já existe risco de ocorrerem lesões nos órgãos alvo, como o coração, cérebro (os AVCs são umas das lesões mais comuns), rins, olhos e vasos sanguíneos.

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