Comportamento

Câncer colorretal é cada vez mais frequente em jovens

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Sangue nas fezes, alterações dos hábitos intestinais, desconformo abdominal, perda de apetite e diarreia. Esses são alguns dos sinais apresentados por um dos tipos de câncer mais preveníveis, curáveis e letais: o colorretal. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença atinge mais de 36 mil pessoas no Brasil anualmente. O câncer colorretal é o segundo mais frequente em mulheres e o terceiro em homens. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica seu rastreamento a partir dos 50 anos, mas segundo um estudo da Sociedade Americana de Câncer, dobrou o número de casos em jovens adultos. De acordo com a pesquisa, a obesidade e o sedentarismo são algumas das razões pelas quais 30% dos diagnósticos são em quem tem menos de 55 anos. Assim, o documento divulgado pela Sociedade Americana conclui que indivíduos nascidos em 1990 têm quatro vezes mais chance de desenvolver câncer de reto e o dobro de chance de ter o de intestino, se comparado com alguém nascido na década de 1950.

Conforme outro estudo, publicado no British Medical Journal, os fatores de risco em jovens estão ligados justamente ao estilo de vida. Segundo o levantamento, a cada 5kg/m2 ganhos no índice de massa corporal (IMC), aumenta 9% o risco de desenvolver câncer colorretal em homens. O médico Tomazo Franzini, diretor da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), esclarece que a obesidade está ligada a diversos tumores, especialmente aos que acometem o aparelho digestivo. 

“Contudo, a obesidade não é a causa em si, mas a consequência de uma série de maus hábitos, de estilo de vida e alimentares”, acrescenta. Segundo o especialista, é necessária a realização de campanhas educacionais sobre a neoplasia. “Precisamos conscientizar a população e os próprios médicos a respeito desse aumento. Em jovens, o diagnóstico costuma ser tardio justamente por falta de informação. Sem saber os sintomas e a possibilidade de desenvolver a patologia, eles tardam a procurar um especialista e, logo, a obterem o diagnóstico e iniciar o tratamento”, diz.

Abrangendo tumores que agridem o cólon e o reto, segmentos do intestino grosso, o câncer colorretal é identificado pela colonoscopia, exame que permite a visualização direta do interior do reto, cólon e parte do íleo terminal. O procedimento é a principal ferramenta para rastrear a neoplasia, uma vez que pode identificar lesões pré-oncológicas, conhecidas como pólipos, e removê-las durante o próprio procedimento. “A colonoscopia é fundamental no enfrentamento do avanço dos casos da doença. Por isso, precisamos desmitifica–lo e ampliar o acesso à informação sobre a doença e as formas de prevenção. Os sinais são sutis e podem ser confundidos com outras doenças. Um especialista deve ser procurado sempre que houver quaisquer suspeitas de problemas no aparelho digestivo”, conclui.

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