Comportamento

Ceratocone: você já ouviu falar?

Shutterstock


Aproximadamente de 50 a 200 de cada 100 mil pessoas sofrem com ceratocone, doença progressiva que acomete os olhos. O problema é caracterizado pelo afinamento e aumento da curvatura da córnea, resultando em uma forma irregular e cônica da superfície do olho. A doença afeta mais as mulheres do que os homens e frequentemente começa na puberdade. A evolução acontece, geralmente, até os 30 ou 35 anos, momento em que ocorre uma estabilização natural. A oftalmologista Raquel Coelho fala mais sobre o assunto.

Quais são os principais sintomas do ceratocone?

Geralmente o paciente apresenta miopia e astigmatismo irregular, que aumentam e levam a uma necessidade de troca frequente dos óculos. Na medida em que o ceratocone progride, a visão fica turva, algo que pode ser impossível de corrigir com óculos. Coceira nos olhos também pode ser um sintoma frequente, pois há grande associação do ceratocone com alergia ocular. Em alguns casos, a hidropsia da córnea ou inchaço marcado da córnea pode ocorrer como o desfecho final do processo progressivo. Há ainda pacientes que não apresentam queixa alguma.

Como é realizado o diagnóstico?

O diagnóstico do ceratocone envolve consulta, investigação e exames oftalmológicos completos e complementares. Técnicas sensíveis, como a topografia da córnea, frequentemente detectam o ceratocone. Índices objetivos e métodos de inteligência artificial, conseguidos por meio da ceratoscopia computadorizada, aumentam a precisão do diagnóstico.

Como é o tratamento?

Apesar do ceratocone poder causar uma acentuada perda de visão, raramente leva à cegueira. O tratamento da doença é feito de acordo com o estágio, com o grau de irregularidade existente e as características gerais de cada paciente. Na fase inicial, a prescrição dos óculos pode restabelecer a visão de forma eficiente. Em fases mais avançadas, lentes de contato especiais são capazes de promover a boa visão. Nos casos em que nem os óculos nem as lentes permitam uma visão satisfatória, recorre-se à cirurgia, como o implante intracorneano (anel intraestroma). Essa cirurgia é realizada com o objetivo de regularização, aplanamento da córnea e melhora na acuidade visual com óculos, podendo até reduzir o grau dos mesmos. Outra opção é o crosslinking, tratamento para promoção de ligações covalentes no colágeno do estroma da córnea que aumenta a rigidez do tecido e, com isso, estabiliza a doença. Se o ceratocone estiver muito avançado e não for possível nenhum desses procedimentos, recorremos ao transplante de córnea. É importante ressaltar que após o transplante o paciente tem uma “vida nova” que requer cuidados especiais. Além disso, o fato de ter realizado o transplante não significa que a doença não possa ocorrer novamente.
 
Há formas de prevenção?

Infelizmente não há maneiras de prevenir o surgimento do ceratocone. Existem associações com fatores hereditários e genéticos, porém ainda não há testes genéticos para o diagnóstico da doença. Vale ressaltar que o diagnóstico em fases precoces ou a identificação de indivíduos com maior predisposição são importantes para direcionar a orientação de não coçar os olhos e tratar a alergia ocular, que pode estar associada à doença. Conscientizar é a melhor forma de prevenção. A falta de informação prejudica mais do que a doença. 

Comentários
Os comentários publicados aqui não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade de seus autores.