Comportamento

Como driblar a compulsão alimentar nas festas de final de ano

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Já estamos no final do ano e, com ele, chegam as tradicionais festas de confraternização, encontros com amigos, ceias em família e... muita comida. Todos esses ambientes já são propícios para comer em exagero, mas a maioria das pessoas ainda conta com o desgaste físico e psicológico acumulado durante todo ano, principalmente por conta do trabalho, como "incentivo" para os excessos. Assim, a vontade de relaxar se torna uma das justificativas para o exagero na hora de comer.

A boa notícia é que há alternativas para desfrutar dessa época do ano sem grandes prejuízos para a saúde nem sofrimento. Segundo a especialista em obesidade Gladia Bernardi, autora do livro "O Código Secreto do Emagrecimento", o segredo está em trabalhar a mente. "É normal as pessoas desejarem uma recompensa pelo ano exaustivo e acabarem deixando o emocional tomar conta. Por isso, acabam comendo mais do que de fato gostariam e ficam com sentimento de culpa", diz. 

Segundo pesquisa do The New England Journal of Medicine, as pessoas tendem a engordar dois quilos durante as festas de fim de ano, mas não perdem esse excesso integralmente depois. O estudo, realizado com quase três mil pessoas nos Estados Unidos, Alemanha e Japão, mostrou que os participantes emagreceram apenas 1,5 kg, acumulando em média 0,5 kg a cada ano.

Fome emocional x fome racional

Mas como trabalhar a mente para evitar esse tipo de compulsão? Gladia explica que há dois sistemas que controlam nosso cérebro: o bottom up (emocional) e o top down (racional). Como a principal forma de manter-se saudável é uma reconstrução de padrões de pensamento para a criação de hábitos, é fundamental o equilíbrio entre esses dois sistemas.

"Os momentos de exagero na comida ocorrem geralmente quando o sistema emocional toma conta do cérebro e das ações, o que não pode acontecer. É preciso que o sistema emocional permita receber conselhos do racional para que ambos possam agir em harmonia", explica a especialista.

O uso excessivo na rotina diária do sistema racional faz com que, em momentos de festividades, grande parte das pessoas queiram deixá-lo de lado, o que é importante e saudável, mas não pode ser feito de maneira integral. É preciso que os sistemas realizem ações comportamentais juntos, não individuais.

"Nossa vida não teria graça nenhuma se vivêssemos apenas sob o comando da razão. É importante que o emocional esteja presente nos momentos de descontração, mas é preciso entender que o segredo para não cair em compulsão é acionar o 'top down' antes de comer, impedindo assim os exageros e o sentimento de culpa", comenta Gladia.

Como acionar o racional durante as festas?

"Muita gente pensa: 'trabalhei como um doido o ano inteiro. Mereço comer o máximo que eu aguentar'. Mas calma. Realmente, você merece momentos de prazer e diversão após tanto trabalho e uma rotina exaustiva o ano inteiro, mas isso não é motivo para comer em exagero. Esse pensamento é uma forma de sabotar a mente e apenas contribui para a compulsão. Comida não pode ser o centro da felicidade", alerta Gladia. 

Segundo a especialista, pensar algo parecido com isso significa que o sistema emocional tomou conta da mente. "Lembre-se que é preciso permitir que o racional entre em ação e os dois atuem em conjunto. Aproveite aquele doce saboroso, mas não precisa acabar com a travessa", ensina.

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