Comportamento

Conexão do amor

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A internet possibilitou o estabelecimento de conexões sem imposição de barreiras geográficas ou de idiomas. Seu uso passou a fazer parte rotineira das atividades pessoais e profissionais de quase todo mundo. E já começa a modificar a forma como nos relacionamos, com o uso de aplicativos que têm se multiplicado nos últimos tempos
 
Os apps de paquera atendem a diferentes tipos de interesse. Alguns são programados com o mecanismo de geolocalização, outros segmentados por preferências religiosas e até interesses específicos nos níveis de relacionamento a serem estabelecidos. O fato é que a cada dia mais pessoas, de diferentes faixas etárias, estão aderindo a essa nova forma de se mostrarem aptas a iniciar um novo relacionamento e a começar no âmbito virtual os primeiros contatos feitos, até pouco tempo atrás, face a face.
 
Para a psicóloga Cyndia Bressan, as pessoas devem ver com maior naturalidade a funcionalidade dos aplicativos de relacionamento, perdendo o receio em se aventurar nesta forma virtual de estabelecer contato com o outro. “A tecnologia já faz parte da nossa vida de forma tão natural. Conhecemos e mantemos amigos pelas redes sociais, conversamos com familiares e profissionais pelos aplicativos, fazemos compras e pesquisas diversas pela internet, até estudamos virtualmente. Qual o mal de conhecer potenciais parceiros inicialmente pela internet?”, reflete.
 
Do aplicativo para o altar 

Foi com o espírito aberto ao novo que a agente de inovação Elisa da Silva Nascimento, 31 anos, resolveu ingressar em um aplicativo de relacionamento. Para isso, teve que deixar de lado o receio que criou sobre o assunto ao acompanhar histórias de quem se deparou do outro lado com pessoas perturbadas ou golpistas.
 
Confiante na utilidade da ferramenta, fez uma pesquisa prévia sobre como se portar nesse tipo de aplicativo e o que observar no comportamento alheio para conseguir identificar “perdas de tempo”. Com a lição de casa feita, optou por um aplicativo mundial de relacionamento cristão. Seus encantos foram suficientes para despertar o interesse de um finlandês, há milhares de quilômetros do Centro-Oeste brasileiro, que com meros dez dias de conversa já a pediu em namoro. Com dois meses de contato, ele desembarcou no Brasil para conhecer a amada e se certificar de que tinha encontrado a pessoa com quem sempre sonhou.
 
Hoje, apaixonada e conectada, Elisa se organiza para dar o principal passos da relação: o casamento, já marcado para o dia 8 de setembro, e que também vai representar o início de uma nova vida no outro hemisfério. “E tudo isso foi possível graças ao aplicativo que nos uniu, nos conectou e permitiu que eu conhecesse meu futuro marido e companheiro de vida”, finaliza.
 
Aquele empurrãozinho virtual

Quando a servidora pública Eliane Fagundes, 40, tirou a noite de folga para se divertir, foi fisgada por um olhar intenso, que a hipnotizou de certa forma. A troca de olhares iniciada na balada virou uma verdadeira paquera quando ambos se identificaram em um aplicativo de relacionamento e iniciaram uma interessante conversa. “Foi tudo muito surpreendente porque fizemos uma conexão quase imediata virtualmente, pois já tínhamos sentido o poder da atração entre nós presencialmente. Mas o aplicativo foi fundamental em nossa aproximação”, pontua.
 
O dono dos seus olhares e da sua atenção é um goiano, que se divide entre temporadas no Brasil e nos Estados Unidos, o que, naturalmente levou o relacionamento a distância para o máximo de proximidade que a internet pode possibilitar. De forma despretensiosa e cheios de vontade de viver momentos juntos, Eliane e seu novo namorado compartilham o gosto pelas viagens e por conhecer lugares novos, juntos. “Como já moramos em cidades diferentes, programamos nossos encontros em lugares que temos muita vontade de conhecer. E isso é uma forma muito estimulante de compensar um relacionamento a distância”, conta.
 
Conforme reflete Eliane, os aplicativos de relacionamento são ideais, principalmente, para pessoas que não têm tanto desejo de se aventurar nas baladas e para quem tem menos disponibilidade ou tempo para atividades sociais. “Há nove meses temos vivido uma história cheia de cumplicidade e gostos semelhantes: o desejo de ver o mundo ao lado de uma excelente companhia”, afirma.
 
Maturidade presencial e virtual

A psicóloga clínica e docente Mariana Brasil vê o fenômeno dos relacionamentos via aplicativos com a mesma naturalidade de quem entende a fundo a psique humana. “Tradicionalmente já participamos de um processo de seleção, estamos sempre escolhendo e sendo escolhidos. Faz parte das relações humanas buscar interações, e os aplicativos dão um empurrãozinho a mais nesse sentido”, analisa.
 
Sua experiência profissional tem mostrado o quanto as pessoas têm estado mais abertas a buscar parceiros pelo meio virtual. No entanto, a visão e a forma como homens e mulheres acessam os aplicativos, geralmente, demonstram motivações um tanto diferentes. Algumas mulheres estão em busca de um relacionamento duradouro, almejam encontrar alguém para ser uma companhia constante; enquanto alguns homens buscam contatos mais efêmeros, sem compromisso. “Nessa hora é preciso saber se a pessoa que tanto te interessou compartilha dos mesmos interesses que você. E nada melhor para saber disso do que perguntando a ela quais os seus reais interesses no aplicativo”, orienta Mariana.
 
Aprender a ouvir e a interpretar exatamente o que está sendo dito

Como o principal mecanismo de aproximação dos aplicativos de paquera é a conversa virtual, é preciso ter uma certa dose de maturidade para saber conduzir e extrair o máximo de informações por meio desses contatos. “Não menospreze o que a pessoa do outro lado está dizendo. Quando ela diz que não busca nada sério, não ache que você e todo o seu poder de sedução serão capazes de mudar seus interesses. Se você busca algo duradouro, fuja de quem já se classifica como livre, leve e solto”, alerta.
   
Quando o virtual deve migrar para o contato pessoal?

O caminho tradicional desses aplicativos de relacionamento costuma ser: contato inicial via aplicativo, conversa mais pessoal via WhatsApp, acompanhar as redes sociais da pessoa, marcar um encontro presencial. Mas isso não significa que todos os contatos no aplicativo vão evoluir para um encontro.
 
Conforme orienta a psicóloga Mariana, é preciso que a pessoa faça a seguinte pergunta antes de sair marcando encontros aleatoriamente: quem eu realmente quero que faça parte da minha vida? Diante disso, e com o encontro já agendado, a profissional alerta para que se tomem algumas medidas de segurança, como avisar pessoas de confiança sobre onde vocês estarão e marcar o encontro num local que possa preservar a sua intimidade e o seu endereço. E sobretudo ficar atenta se o acompanhante mantém a mesma desenvoltura e valores defendidos no âmbito virtual quando está diante de você. “Observe se a pessoa tem uma coerência na forma como lida com você pelas redes sociais e no contato pessoal. Isso ajuda a desmascarar pessoas mal intencionadas sem que você precise se tornar vítima delas”, aconselha.
 
Nudes?

Os tão requisitados nudes são uma das formas de atiçar o interesse da paquera, quando se está neste jogo de sedução virtual. O que deve ser respondido antes de iniciar essa troca de imagens tão íntimas é: o quanto eu vejo essa exposição com naturalidade? Portanto, se pintar dúvida, não mande!
 
Outro ponto-chave antes de sair fazendo os cliques mais ousados é que, a partir do momento que a foto for enviada, ela não será mais recuperada diretamente por você. Ela passou a fazer parte do acervo de uma terceira pessoa, que pode, de má-fé reproduzi-la, compartilhá-la e expô-la irrestritamente.
 
Tente preservar o rosto, não tirar fotos de corpo inteiro que permitam que você seja facilmente identificada. “Muitas vezes a pessoa do outro lado não tem a intenção de te expor, mas celulares são enviados para a assistência técnica, são roubados, perdidos, e com isso as suas fotos podem cair nas mãos de pessoas que você nem imagina do que são capazes”, conclui Mariana.

Deu match com aquele crush

Conheça os aplicativos de relacionamentos mais usados na internet.

Tinder – é o aplicativo de relacionamento mais utilizado no mundo. Ele não permite que a pessoa veja seu interesse, a menos que ela também dê um like, quando acontece o match, abrindo para um chat privado.
Badoo – são mais de 340 milhões de usuários que podem iniciar uma conversa mesmo quando apenas uma das partes se interessou.
Happn – concorrente direto do Tinder, ele notifica se você encontrar alguém pela rua com perfil inserido no aplicativo e permite que você dê um like.
Par perfeito – é um aplicativo para quem curte a tradicionalidade. Faça seu perfil, comece a pesquisar perfis que te atraia e conecte-se com quem despertou seu interesse.
POF (PlentyOfFish) – utiliza como ferramenta de conhecimento questionários e o cadastro tem 15 etapas.
Once – o nome quer dizer “uma vez”. Aplicativo ideal para quem não quer perder tempo em relacionamentos que não sejam sérios.
Grindr – voltado para o público gay e bissexual masculino.
Kickoff – permite conhecer novas pessoas por meio de amigos antigos.
Fresh – mistura de Tinder com Snapchat, mais voltado para namoro.
Adote um cara – elas comandam nesse aplicativo, escolhendo os perfis masculinos que mais agradam.
Bumble – é um aplicativo de paquera, amizade e networking.

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